Política Externa

O desempenho do fluxo de investimento direto externo internacional e nos BRICs

O desempenho do fluxo de investimento direto externo internacional e nos BRICs

O fluxo de investimento estrangeiro direto para os países em desenvolvimento aumentou muito mais do que às economias desenvolvidas nos dez anos concluídos em 2011. A China e o Brasil foram, entre as economias emergentes, as maiores receptoras de capital estrangeiro para o setor produtivo. Multinacionais do setor automotivo e de petróleo elevaram seus ativos entre os países industrializados. Mas a China National Offshore Oil Co e o Noble Group Ltd responderam pela maior destinação de recursos a ativos dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia, China. O presente artigo avalia o fluxo de investimento estrangeiro direto no período e as variáveis macroeconômicas dos BRICs e baseia-se em análises estatísticas e coeficientes de correlação.

This paper investigates the foreign direct investment performance and its macroeconomic variables correlation in Brazil, Russia, India and China from 2001 to 2011. This countries group or BRICs was considered the most important emerging market in the world. The applied methodology was the statistics analysis and coefficients of correlation. The results point out that there was a greater increase of external direct investment inflow in the developing countries than in the developed countries. The non-financial multinationals in oil and vehicle sector as Toyota Motors have shown the greatest growth in their external and total assets in industrialized economies. China National Offshore Oil Co, Vale SA and Noble Group Ltd were the corporations that had the greatest increase in their foreign asset of the BRICs countries. China, in high level, and Brazil were the countries that had the biggest amount of external direct investment among the emerging market economies. The correlation between external direct investment inflow and the export was highest in comparing to other macroeconomic variables. This result was particularly noticed in the Brazilian, Russian and Chinese economies that may imply the expansionary internationalization strategies for Multinational Corporation.

Introdução

O novo cenário econômico mundial indica que as quatro economias de mercados emergentes Brasil, Rússia, Índia e China podem se tornar líderes em termos de crescimento, participação no comércio internacional e de atratividade de investimento direto externo. Esse fato está também aliado ao processo constante de integração da globalização econômica, resultado dos avanços nos sistemas de informação, da queda das barreiras do comércio internacional e da desregulamentação financeira. A integração econômica e financeira teve como consequência uma acentuada expansão nos investimentos estrangeiros diretos como é destacado pela literatura.[1]

Assim, os principais determinantes dos investimentos externos na atividade produtiva são caracterizados pelas fontes de matérias-primas; pela estrutura ou pelos custos dos transportes; pela dotação fatorial dos países ou, em última análise, pelas vantagens comparativas como mostram Krugman e Obstfeld (2010). Há ainda outros fatores que incentivam a atração de investimento externo direto, que são o grau tecnológico empregado, processos produtivos verticalizados, tamanho do mercado, estabilidade institucional e macroeconômica.

O impacto dos determinantes institucionais e o investimento direto externo, na América Latina foram analisados por Amal e Seabra (2007). Assim, a abordagem institucional considera que o papel das instituições está relacionado com sua capacidade de resolver as questões relativas às imperfeições do mercado. Desse modo, as variáveis institucionais como risco político e liberdade econômica foram também relevantes para a tomada de decisão ou para explicar o fluxo de investimento direto externo.

Outra linha de investigação trata da relação entre as empresas transnacionais e o investimento direto externo, abordada por Pezzi e Triches (2009) e Cardoso Jr. (2010). Para efeito ilustrativo a UNCTAD enumerou a existência de quase 37 mil empresas multinacionais já no início da década de 1990. Laplane e Sarti (2002) investigaram a possível contribuição do investimento direto externo para o crescimento sustentado e indicaram três características principais: a) a effiency seeking, ou seja, a especialização, racionalização e introdução de inovações organizacionais e novas formas de projetos, b) ampliação da capacidade e aquisições, que se tornaram importantes componentes das estratégias das empresas multinacionais. A terceira delas trata-se das filiais brasileiras, que têm no mercado doméstico seu principal foco de atuação. O investimento direto externo tem contribuído para a redução do desequilíbrio comercial, removendo a restrição externa de crescimento. Mesmo assim, a falta de inovações ainda obstaculiza vantagens nos setores industriais mais dinâmicos.

O objetivo aqui é investigar o desempenho dos investimentos diretos externos internacionais e nos países: Brasil, Rússia, Índia e China e a correlação entre variáveis econômicas ao longo do período de 2001 a 2011. Tais países foram selecionados por se tratarem de economias que vêm conquistando participação no mercado global. A principal motivação é ampliar a compreensão sobre o papel do investimento direto externo no crescimento das economias emergentes. Diante do cenário contemporâneo de globalização, muitos debates são realizados sobre as diferentes estratégias de internacionalização, mas quando se trata da relevância dos investimentos estrangeiros para o crescimento econômico, abre-se uma lacuna de conhecimento que justifica um esforço de pesquisa.

Desse modo, o artigo está estruturado em cinco seções, além desta introdução. A segunda faz uma breve revisão teórica sobre os efeitos e determinantes do investimento direto externo. Na terceira seção, aborda-se a dinâmica dos fluxos de investimento diretos internacionais. A quarta trata da análise dos investimentos diretos externos dos países que compõem o BRICs. Por fim, na quinta seção, encontram-se as conclusões.

Os determinantes de investimentos diretos externos

Os investimentos estrangeiros diretos são caracterizados como um fluxo internacional de capital entre os países e são operacionalizados por empresas transnacionais, com o objetivo de expandirem suas atividades, visando maiores retornos como abordam Krugman e Obstelfd (2010). Em termos de particiação societária, o investimento externo é classificado como direto quando essa participação é superior a 10% das ações ordinárias das corporações. Diferentemente dos fluxos de capitais internacionais aplicados no mercado financeiro ou de capital de portfólio, o investimento direto externo apresenta baixa liquidez e prazos de permanência longos, portanto, com maturação indefinida que varia de acordo com o tempo de vida das empresas. Além disso, o prazo de retorno do investimento e a taxa interna de rentabilidade são incertos.

Os determinantes dos investimentos diretos externos são avaliados a partir das variáveis microeconômicas as quais estão diretamente relacionadas ao desempenho da firma, além das variáveis macroeconômicas e institucionais, que evidenciam os fatores específicos do país receptor dos investimentos externos. Assim, a teoria da organização industrial representa uma mudança no que tange à definição dos determinantes dos investimentos estrangeiros diretos.[2]

A teoria da organização industrial buscou abordar um quadro conceitual e teórico destinado a avaliar as condições sob as quais determinados mercados são atendidos por meio de filiais estrangeiras de produção, em vez de serem atendidos pelas próprias empresas locais ou através da importação. Enquanto o modelo tradicional do investimento parte do pressuposto de que os fluxos de investimentos, de acordo com Baumann et al. (2004), são determinados pelo diferencial de retorno, a teoria moderna dos investimentos estrangeiros diretos procura explicar, inicialmente, o que determina a internacionalização da produção.

A determinação teórica do investimento externo direto deve dar ênfase às diferenças de atributos entre países (diferenças nas dotações de fatores), e também às diferenças existentes entre as empresas de diferentes países. Dessa forma, o diferencial de rentabilidade de operações distintas de investimento estrangeiro direto está determinado por características específicas a cada espaço possível de localização (fatores locacionais específicos), com os atributos de empresas (fatores específicos à propriedade).

Em geral, a teoria econômica, para Caves e Frankel (2001), justifica o movimento de capitais pelo mundo pela perspectiva de lucros, ou seja, um país recebe investimentos se oferecer possibilidades de reduzir o custo da produção. Entre eles, podemos considerar quatro questões naturais e estruturais principais. Em primeiro lugar, o controle de matérias-primas, pois uma empresa transnacional pode reduzir custos de produção através da realocação em um país onde existam recursos naturais mais abundantes. Em segundo lugar, a mão de obra, que pode ter remuneração mais baixa em outros países em relação ao país em que está sediada. Uma terceira questão a ser levada em conta são os custos com transporte, que têm participação elevada no valor das mercadorias. Em alguns casos, o custo de transportar o produto acabado pode ser menor do que transportar seus insumos, facilitando a implantação próxima ao mercado consumidor. Por fim, os autores apontam uma quarta razão a ser considerada que são as políticas públicas. Essas podem atrair investimentos por meio de tratamento fiscal diferencial ou redução tributária. Para contornar o protecionismo imposto pelo governo, uma empresa pode tomar a decisão de implantar uma subsidiária nesse país.

A tecnologia é outro fator que explica os fluxos de investimentos diretos externos. Assim, quanto mais nova for uma tecnologia e mais ágeis forem suas mudanças, maior a probabilidade de que a firma a utilize em suas subsidiárias no exterior como argumentam Caves e Frankel (2001). As tecnologias e a exploração de produtos adequados às condições de uso intensivo de mão de obra e de pequenos mercados são também determinantes no incentivo à existência de multinacionais em países de mercado emergente. De acordo com Krugman e Obstfeld (2010), a tecnologia pode, às vezes, ser transferida ou licenciada, mas como não podem ser mensurados os direitos de propriedade, as multinacionais instalam uma filial em outro país, em vez de vender tal tecnologia.

As ações das empresas multinacionais são caracterizadas por quatro tipos diferentes de projetos de investimentos; a) orientados a atender o mercado interno dos países receptores de investimento ou market-seeking projects em que ocorre a substituição das importações, além de criar comércio quando a filial utiliza produtos intermediários do país de origem do investimento direto externo, b) destinados à redução de custos de produção ou efficiency-seeking projects, tanto a mercados domésticos como internacionais, pois trata-se da racionalização da produção em uma cadeia internacional para se beneficiar de economias de escopo e escala com gestão unificada e atividades produtivas geograficamente dispersas; c) estratégias para o acesso a matérias-primas e mão de obra à custos baixos ou resource seeking projects com a finalidade à exportação de produtos intensivos nos recursos dos países receptores; e d) direcionados, como ativos estratégicos, à instalações de plantas fabris, fusões, aquisições ou operações de joint ventures que possibilitam uma estrutura de propriedade comum para atuar em mercados regionais ou globais.

As empresas multinacionais, para Cavusgil et al. (2010), alcançam eficiência em escala global se apresentarem determinadas características de como lidar com as variáveis sociais e culturais presentes no mercado e se forem capazes de atuar de maneira socialmente responsável nos países que as recebem. Portanto, esses desafios tendem a ser mais facilmente enfrentados por aquelas empresas com vasta experiência em negócios globais. Dessa forma, a decisão das empresas multinacionais, na seleção de locais para os investimentos diretos externos, leva em conta os fatores esquematizados na Figura 1.

As leis e regulamentações estão relacionadas à transferência de tecnologia, sistema jurídico e legal, proteção da propriedade intelectual, taxas e outras barreiras comerciais. Quanto aos fatores políticos governamentais, é de fundamental importância que o país receptor tenha certa estabilidade política, receptividade ao investimento direto externo, extensão da burocracia, transparência e baixos índices de corrupção. Os fatores de mercado a serem considerados são: tamanho e crescimento do mercado nacional do país receptor, bem como o mercado da região em que se instalará, e a proximidade a locais de possíveis exportações. Em relação a fatores humanos: a disponibilidade e o custo da mão de obra qualificada, bem como sindicatos, qualidade do trabalho gerencial e leis trabalhistas.

A infraestrutura do local receptor do investimento é o quinto fator a ser considerado, tendo relevância à disponibilidade e qualidade da produção local, eficiência da distribuição física, serviços relacionados a finanças, comercialização e distribuição. O lucro também é um fator a ser considerado, sendo nesse caso relevantes a tributação e a inflação. Por fim, discutem-se os fatores econômicos, como custos de terreno e instalações, economia local, moeda, integração regional e livre comércio.

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Baumann et al. (2004) caracterizam como principais efeitos positivos do investimento direto externo a transferência de ativos específicos à propriedade. Tal fato tende a elevar a produtividade total mudando a estrutura de produção do país receptor através da introdução de novos e melhores produtos. Os ativos específicos permitem encadeamentos positivos a fornecedores e distribuidores. Os efeitos positivos se dão ainda na formação de recursos humanos, por meio de treinamento de mão de obra e do aprendizado específico da atividade produtiva. Assim, governos podem ter políticas ativas em relação às transnacionais, que estabeleçam critérios de desempenho para os investimentos em determinadas atividades. Os incentivos e critérios estabelecidos pelo governo devem estar relacionados à criação de empregos, importação, exportação, tecnologia e investimentos futuros.

Dinâmica dos fluxos de investimentos diretos globais

Os fluxos de investimentos diretos globais indicam quanto os países têm acesso a mercados internacionais, redes de conhecimento e fontes de abastecimento em uma economia global. Segundo Mussi (2010), o investimento internacional, em função de mudanças no cenário global e da globalização de finanças, tem um novo perfil baseado nos fluxos privados. Entre eles o investimento direto externo, que apresenta novo dinamismo a partir desse período. Essas significativas mudanças são motivadas pelas taxas de juros flutuantes e câmbios flexíveis, que alteraram as expectativas do investidor internacional quanto a oportunidade e risco de investimentos em determinados países e regiões.

Na Tabela 1 observar-se os fluxos de entrada de investimento direto externo por regiões mundiais. No ano de 2001, o investimento direto externo mundial foi de US$ 817,6 bilhões, já em 2011 o número passou para US$ 1,524 trilhão. Isso representa uma taxa média de crescimento anual de 6,4% ao ano. Nota-se ainda que as economias desenvolvidas participavam, em 2001, com 70,0% do total do fluxo mundial, perfazendo US$ 571,5 bilhões, enquanto que no final do período considerado, esse grupo de economias detinha US$ 747,9 bilhões, caindo a sua respectiva participação para 49,0%. Como consequência, a taxa de crescimento anual registrada pelas economias desenvolvidas foi bem menor do que a mundial em 3,7 pontos percentuais.

tabela 1

As economias em transição e as economias em desenvolvimento foram as que apresentaram o melhor desempenho quanto à atratividade de investimentos externos diretos com uma taxa média anual de 13,3% e 12,0% ao ano de 2001 a 2011. Em termos de participação o primeiro grupo passou de 3,0% do total mundial ou US$ 26,4 bilhões, em 2001, para 6,0% do total com US$ 92,2 bilhões, dez anos mais tarde. As economias em desenvolvimento, por sua vez, de 27,0% do total para 45,0%. Salienta-se que entre as economias em desenvolvimento, as regiões Sul, Sudeste e Leste da Ásia foram as que apresentaram maiores variações no período. As economias em transição, que tinham uma participação na entrada de IDE mundial de 3,2% em 2001 passaram para 6,0% em 2011.
Notadamente, quando se analisa a saída dos fluxos de investimento direto externo, as economias desenvolvidas são as principais responsáveis como ilustra a Tabela 2. Em 2001, essas economias detinham 90,0% do total mundial de saída de capitais o que representava US$ 658,1 bilhões. Tal soma chegou a duplicar em 2007 recuando para US$ 1,23 trilhão ou 73,0% do total em 2011. Esse resultado indica uma taxa média de crescimento, no período, de 6,5%. Na segunda posição, desponta o conjunto de países, classificados como em desenvolvimento que, em 2001, destinavam para a economia mundial apenas 8,0% do total global. Essa participação cresceu quase quatro vezes ao longo dos dez anos seguintes, registrando, portanto, uma elevada taxa média de crescimento, ou seja, de 20,4% ao ano.

As economias classificadas como em transição apresentaram um desempenho superior às economias em desenvolvimento, embora o montante inicial, em 2001, fosse bastante reduzido: US$ 3,5 bilhões ou apenas 1% da economia mundial. A taxa de crescimento médio anual, ao longo dos anos de 2001 a 2011, foi bastante expressiva da ordem de 35,5%. Com isso, as economias em transição passaram a deter uma parcela de 4,0% do total de saída dos fluxos de investimentos diretos externos, com um montante de US$ 73,1 bilhões. Por fim, a economia mundial contabilizou, em 2001, uma remessa desse capital de US$ 721,5 bilhões, e dez anos depois de US$ 1,694 trilhão. Tal variação é traduzida por uma taxa média de crescimento anual de 8,9% ao ano.

tabela 2

Os investimentos diretos externos globais por setor industrial no período de 2001 a 2011 estão ilustrados na Figura 2. Salienta-se que o setor primário era responsável por 11% do total, em 2001, perdeu forte participação no ano de 2005, passando para 2,0% voltando a crescer em 2011, para 14,0%. No o setor primário, a mineração, petróleo e escavações foram os segmentos que mais se destacaram. A indústria de manufatura, por sua vez, detinha quase ¼ dos investimentos diretos externos totais, em 2001 elevando-os para 40,0% em 2005 e encerrando o ano de 2011 com 46,0%.

Nesse setor, os químicos representaram, em 2011, 10,0% do total, os segmentos automobilísticos e de equipamentos de transportes representaram 6,0%. Já o setor terciário ou de serviços participou com a maior parcela, ou seja, com 65,0% em 2001, e perdeu participação para a manufatura em 2005, caindo para 58,0%. Essa queda foi ainda maior seis anos depois, passando para 40,0%, obviamente em detrimento do aumento das participações dos primeiros setores econômicos como agropecuária extrativa e indústria. Os segmentos de transportes, e comunicações e serviços para negócios foram os mais representativos do setor terciário.

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Os fluxos de investimentos diretos externos estão diretamente associados ao comportamento das principais empresas multinacionais. A Tabela 3 reporta essas dez principais empresas não financeiras classificadas por país de origem, ramo industrial e por ativos estrangeiros em 2011. Nota-se que os Estados Unidos, França e Reino Unido detêm duas empresas cada, Japão Espanha, Itália uma e uma empresa binacional pertence ao Reino Unido e Holanda. Quanto ao segmento industrial das dez principais corporações multinacionais, três atuam no setor de petróleo, duas, no ramo de telecomunicações, também duas, no setor de utilidades e uma no setor de equipamentos eletrônicos e, também, uma no segmento de veículos.

A General Electric era a segunda principal empresa multinacional não financeira, em 2001, atuando no ramo de equipamentos eletrônicos com um total de US$ 437,0 bilhões de ativos. Desses, US$ 159,2 bilhões no exterior. Em 2011, essa companhia assumiu a primeira posição com US$ 502,6 bilhões de ativos fora dos Estados Unidos o que representava 70,0% do total de ativos da empresa. Ao longo do período, ocorreu um elevado crescimento dos ativos no exterior da General Electric da ordem de 215,7%, enquanto os ativos totais apresentaram um aumento de 64,1%.

A Petrolífera Royal Dutch Shell era a sexta principal empresa multinacional não financeira em 2001, com US$ 74,8 e US$ 122,5 de ativos externos e totais respectivamente. Dez anos mais tarde, a companhia aparecia, em segundo lugar, com ativos estrangeiros no valor de US$ 296,4 bilhões, de um total de US$ 345,3 bilhões, ou seja, 85,8% dos ativos eram estrangeiros. A Royal Dutch Shell também registrou uma elevadíssima taxa de crescimento dos seus ativos da ordem de 296,3% no exterior de 181,9% no total de 2001 a 2011.

tabela 3

Em terceiro lugar, encontra-se a British Petroleum, que era a sétima principal multinacional em 2001, com US$ 75,2 bilhões de ativos sendo US$ 54,4 bilhões no exterior. Salienta-se que essa corporação foi a que mais cresceu entre as dez analisadas. Os ativos externos somaram US$ 263,6 bilhões, ou 89,9% do total em 2011, significando um crescimento de 359,2% ao longo de dez anos. Isso se traduz numa taxa média de crescimento anual de 16,5%. Desse modo, a Petrolífera British Petroleum apresentou uma expansão nos seus ativos totais de 289,8% no mesmo período. Em seguida, desponta outra companhia ligada ao ramo de petróleo que é a norte-americana Exxon Mobil. No entanto, ela perdeu uma posição, passando do terceiro para o quarto lugar entre 2001 e 2011, registrando um crescimento de 283,0% e 141,8 %, nos seus ativos no exterior e totais, respectivamente.

A japonesa Toyota Motor caracteriza-se como a única no ramo de veículos na relação das dez principais multinacionais a conquistar três posições, saindo da oitava, em 2001, com US$ 55,9 bilhões para a quinta, com US$ 214,2 bilhões em 2011. Tal fato mostra um crescimento de US$ 283,3% no período, só perdendo, portanto, para British Petroleum. As corporações Total e GDF Suez da França e a Enel SpA da Itália somente passaram a compor a relação das dez maiores em 2011. A Vodafone foi a única que perdeu posições passando da primeira em 2001, com US$ 221,1 bilhões para a oitava dez anos mais tarde, com US$ 171,9 bilhões. Com isso, essa corporação registrou uma queda de 22,3% nos seus ativos fora do país de origem. A outra multinacional do ramo de telecomunicação, a espanhola Telefonica, no entanto, apresentou uma elevação nos ativos no exterior de 164,6% no período de 2001 a 2011, embora tenha perdido uma posição caindo do nono para o décimo lugar.

tabela 4

A Tabela 4 ilustra as dez principais multinacionais financeiras classificadas por país de origem e pela extensão das operações internacionais, ou seja, pelo número de subsidiárias e afiliadas e pelo número de países em 2011. A norte-americana Citigroup que era a segunda principal multinacional financeira em 2004, atuava em 70 países com 612 subsidiárias passando a 926 subsidiárias em 79 países em 2011, assumindo, portanto, a primeira colocação. A francesa BNP Paribas, por sua vez, detinha a quinta posição, com 622 subsidiárias e afiliadas estando presente em 53 países. Sete anos mais tarde a BNP Paribas conquistou o segundo lugar tanto no que se refere ao número de subsidiárias, com 1.190, – maior taxa de crescimento com 91,3% no período – quanto no número de países, ou seja, no total de 70.

A alemã Allianz subiu uma posição, de quarta colocação, com 778 subsidiárias e afiliadas estando presente em 47 países em 2004, para a terceira, em 2011, com um total de 720 subsidiárias e afiliadas em 68 países. Embora essa corporação financeira tenha apresentado uma queda de 7,5% no número de subsidiárias e afiliadas, por outro lado, foi a que registrou o maior crescimento na conquista de novos mercados, com uma variação positiva de 44,7% no número de países. Na sequência, estão as corporações financeiras HSBC Bank do Reino Unido e Societé Générale da França que subiram, na ordem, de nona e décima posições, em 2004, para quarta e quinta, em 2011, com presença em 67 e 62 países respectivamente.

As corporações financeiras Deutsche Bank, da Alemanha com o maior número de subsidiárias e afiliadas, isto é, 1.337 no total e a AXA, da França, somente integraram a relação das dez principais corporações multinacionais em 2011, em oitavo e décimo lugar estando presentes em 56 e 41 países, respectivamente. A suíça UBS e as duas italianas Assicurazioni Generalli e Unicrédito completam a lista das maiores corporações financeiras mundiais, classificadas pela extensão das operações internacionais. A primeira caiu da terceira posição, em 2004 para a sétima, em 2011, a segunda, Assicurazioni Generalli, da sexta para oitava, ambas estão presentes em 41 países. Já a Unicrédito teve encolhido o número de subsidiárias com queda de uma posição, ficando em nono lugar com presença em 41 países.

Análise dos investimentos externos diretos nos países do BRICs

As economias em desenvolvimento formam um grupo heterogêneo pelo fato de, no período de 2000 a 2009, terem promovido reformas econômicas de grande amplitude. Os países do BRICs ou Brasil, Rússia, Índia e China tendem a ser grandes receptores de investimentos diretos estrangeiros desde o seu início tardio no processo de industrialização. Há diversas diferenças na relação entre a participação do Estado e capital privado (nacional e internacional), conforme destaca Arrighi (2008).

O ingresso de investimentos diretos externos nos países do BRICs no período de 2001 a 2011 está ilustrado na Figura 3. A média de entrada de investimentos, no Brasil, durante o período foi de US$ 28,4 bilhões por ano. Sendo que no último ano da série, foi contabilizado o valor recorde de recebimento de investimentos diretos externos, com o montante de US$ 56,7 bilhões. Já o menor ingresso desse tipo de investimentos ocorreu, em 2003, quando totalizou US$ 10,1 bilhões. A partir de 2006, percebe-se um aumento significativo dos investimentos diretos externos. Esse resultado deve-se as condições macroeconômicas mais estáveis e também ao aumento da demanda interna.

A Rússia também apresentou um bom desempenho no que se refere ao recebimento de investimentos diretos externos com uma média de US$ 30,6 bilhões de 2001 a 2011. No entanto, o menor volume de ingresso de investimento ocorreu, justamente no ano 2011, totalizando US$ 2,5 bilhões, enquanto o valor recorde foi registrado por aquele país em 2008 com um montante em torno de US$ 78 bilhões. O país foi o que mais apresentou variação no período analisado, tendo recebido 21 vezes mais investimentos diretos externos no ano de 2011 do que em 2001.

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O ingresso de investimentos estrangeiros, na economia indiana, foi em média de US$ 18,6 bilhões por ano. Em 2001, a Índia recebeu US$ 3,4 bilhões o que representa o menor volume do período considerado. Já o maior montante de investimentos externos foi contabilizado, em 2008, com US$ 43,4 bilhões. Assim, pode-se segmentar a entrada de investimentos diretos externos, na economia indiana, em dois intervalos; de 2001 a 2005, em que a média anual foi de US$ 4,7 bilhões, e de 2006 a 2011, com média de aproximadamente US$ 30 bilhões por ano. O desempenho do segundo período pode ser caracterizado pelas mudanças estruturais vivenciadas pela economia indiana a partir do lançamento de uma política, em 2005, que permitia a participação dos investimentos diretos externos de até 100% nos projetos domésticos, além de facilitar a entrada e instalação de empresas multinacionais no país.

A China foi o país com a maior média anual de ingresso de investimentos diretos externos, com um volume de US$ 80,4 bilhões. Isso significa quase três vezes a média da economia brasileira que se constitui como segundo país do BRICs que mais atraiu investimentos estrangeiros no período. A economia chinesa registrou US$ 46,9 bilhões em investimentos estrangeiros em 2001 e pouco menos de US$ 124 bilhões em 2011. O único ano em que ocorreu uma queda no recebimento de investimentos foi entre 2009 e 2010, reflexo da crise econômica mundial de 2008. Aliás, esse fato foi comum aos demais países do BRICs, a exceção ficou por conta da economia indiana em que a retração foi verificada num intervalo maior, ou seja, de 2008 a 2010. Por fim, a entrada de investimentos na China tem sido estimulada pelas políticas de liberalização adotadas pelo governo ao longo das últimas décadas.

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O fluxo de saída de investimentos diretos externos nos países do BRICs no período de 2001 a 2011 está reportado na Figura 4. Nota-se um comportamento bastante diferenciado entre os países no que se refere a esse quesito. As maiores variações são observadas na economia brasileira, embora em menores níveis. O fluxo médio de saída de investimentos diretos externos foi de US$ 6,3 bilhões ao ano, sendo que, o ano de 2009 caracterizou-se como o período com menor saída de investimentos, isto é, resultou um desinvestimento de US$ 10 bilhões.[3] Já o maior ocorreu no ano de 2006, quando foram remetidos ao exterior US$ 23,1 bilhões.

A Rússia, por sua vez, não tem uma política específica quanto ao fluxo de saída de investimentos diretos externos. O país teve uma média anual de remessa desse tipo de investimentos de aproximadamente US$ 30 bilhões ao ano. Esse valor é o mais elevado dentre os países do BRICs. O menor valor foi de US$ 20,5 bilhões, registrado em 2001, e o maior, em 2011, com um montante de US$ 67,3 bilhões. A Índia adota apenas políticas de estímulos de atração de capital. Assim mesmo, o fluxo médio de saída de investimentos foi de US$ 9,5 bilhões ao ano. O menor volume observado foi de US$ 1,1 bilhão, em 2002 e o maior, em 2007, com um total de US$ 19,6 bilhões.

Por último, a China apresentou uma média anual de remessa de investimentos externos diretos de US$ 28 bilhões, e exibiu uma ampla aceleração no crescimento, resultado das políticas liberalizantes adotadas desde 2000, designadas como Go Global. O menor volume de saída de investimentos diretos externos foi contabilizado, em 2003, com um desinvestimento de US$ 153 milhões e o maior fluxo foi observado, em 2010, com US$ 68,8 bilhões.

A Tabela 5 ilustra a evolução das 13 maiores empresas transnacionais não financeiras por ativos externos de propriedade dos países do BRICs de 2004 a 2011. Observa-se que, sete têm nacionalidade chinesa, duas para cada um dos demais e 30,0% dessas corporações atuam no segmento petrolífero.[4] Em 2011, a chinesa Hutchison Whampoa, gigantesca corporação de telecomunicações, varejo e hotelaria aparecia na primeira posição em termos de ativos no exterior. Essa empresa detinha um total de US$ 92,79 bilhões, sendo que mais de 80% desses ativos encontravam-se fora das fronteiras do país de origem. Além disso, a corporação chinesa registrou um total de US$ 30,02 bilhões em vendas, empregando 250 mil trabalhadores diretamente. Os maiores crescimentos registrados, foram na geração de emprego e no volume de vendas, da ordem de 37,3% e 30,06% no período de 2004 a 2011.

A outra chinesa a Citic Group ocupava a segunda classificação com maior volume de ativos externos, mas é a primeira disparada em termos de ativos totais com US$ 514,85 bilhões em 2011. Claramente, esse grupo, com mais de 60 empresas, possui suas operações fortemente concentradas na economia chinesa, os ativos externos representam pouco mais de 10,0%. Atua em mais de 50 áreas: financeira, agricultura, imobiliária, telecomunicações, produção de máquinas e equipamentos etc. Destaca-se ainda que o grupo apresentou um crescimento médio anual de 34,7% no total das vendas, 29,4% no ativos totais e 25,6% nos ativos externos entre 2004 e 2011.

Contudo, o maior desempenho, no tange a internacionalização das atividades operacionais produtivas, ficou por conta de outras duas companhias. A outra chinesa, a petrolífera China National Offshore Oil Co, classificada na sexta posição e a brasileira a mineradora Vale S ⁄A. A primeira apresentava um montante de US$ 2,27 bilhões em 2004 e passou para US$ 29,8 bilhões em 2011, denotando um crescimento médio de 44,6% ao ano. A segunda, a Vale S ⁄A, cresceu de US$ 4,02 bilhões para US$ 48,04 bilhões o que significa uma taxa anual média também bastante elevada de 42,5% no período. A Noble Group Ltd também chinesa, que aparecia na décima colocação, apresentou o maior crescimento no total de seus ativos e na geração de emprego dentre as corporações selecionadas. Ao longo de sete anos, o patrimônio do grupo passou de US$ 1,95 bilhão para quase US$ 20,0 bilhões, representando um incremento médio de cerca de 40,0% ao ano. Já o número de empregos diretos cresceu de 900 de para 14 mil.

tabela 5

Salienta-se ainda que as duas russas; a quinta colocada VimpleCom Ltd e a sétima Lukoil e as duas indianas; a décima primeira a Tata Steel Ltd e a décima segunda Tata Motors somente integraram a relação em 2011. A corporação Lukoil ocupa o terceiro lugar em volume de vendas com US$ 133,65 bilhões, perdendo para a brasileira, Petrobras com US$ 145,0 bilhões e para a campeã chinesa China National Petroleum com US$ 326,79 bilhões, todas do setor de petróleo e gás. A China National Petroleum se destaca também na geração de empregos apresentando um incremento de mais de 500 mil entre 2004 e 2011, chegando a 1,67 milhão, além de caracterizar-se como o segundo maior grupo econômico em termos de ativos totais com um montante de US$ 475,7 bilhões.[5]

A evolução nos fluxos de ingresso de investimentos diretos externos tende a ser resultado do crescimento econômico, das políticas de abertura econômica e de privatização adotadas pelos países. Desse modo, utiliza-se o coeficiente de correlação para avaliar a relação entre o investimento direto externo e as variáveis econômicas selecionadas dos países do BRICs, ao longo do período de 2001 a 2011, como ilustra a Tabela 6. Nota-se que em todos os países o maior grau de correlação dos investimentos externos se dá com o nível do valor das exportações. Na China, o coeficiente de correlação é praticamente igual à unidade, no Brasil, é 0,9337, na Rússia 0,9299 e um pouco menor na Índia, 0,7921. Tal fato vem demonstrar a relevância dos investimentos diretos externos no sentido de modernizar as economias nesses países, por meio de transferência tecnológica.

As correlações indicam que as variáveis associadas à internacionalização das economias crescem positivamente. Essa relação pode ser justificada por meio da teoria dos investimentos diretos externos que explica o comportamento das multinacionais. Essas empresas passam a produzir em um determinado país devido a fatores macroeconômicos favoráveis, porém não necessariamente para o mercado consumidor doméstico, podendo exportar o produto final a outras economias.

tabela 6

O grau de correlação entre investimentos diretos externos e o crescimento econômico, por sua vez, parece ser menos significativo e conclusivo do que das exportações. Para o Brasil, o mais elevado, foi de 0,5445. Já para a China e Índia, tal coeficiente, na ordem foi de 0,4430 e 0,3779. No caso da economia russa, a correlação entre investimentos diretos externos e o crescimento econômico é ainda mais inconclusiva mostrando um coeficiente pouco relevante e negativo de 0,0798. Esse resultado pode ser justificado pelo fato de que os investimentos provocam efeitos com defasagem e que se propagam ao longo de sua maturação.

No que concerne à taxa de desemprego, os investimentos diretos externos tendem a produzir impactos altamente desejáveis, sobretudo, na economia brasileira, com um coeficiente de correlação negativo de 0,9037 e na russa de 0,8356. Já para as economias chinesa e indiana, o resultado obtido tende a ser pouco conclusivo. O grau de dependência entre os investimentos externos e a taxa de inflação, para o Brasil e Rússia, foi negativo e bastante semelhante com cerca de 0,5000, o que revela um dado aumento no ingresso de investimentos tenderia a reduzir a taxa de inflação do país. Tal relação é inversa e mais significativa, no caso da China e, sobretudo da Índia. Esse fato tende a ser contrário à teoria econômica tradicional a qual aponta estabilidade como uns dos determinantes dos investimentos diretos externos. Contudo, os investimentos agem inicialmente sobre demanda agregada e com defasagem sobre a oferta agregada o que justiçaria pressões inflacionárias para esses países.

tabela 7

O coeficiente do fluxo de ingresso de investimentos diretos externos nos quatro países do BRICs no período entre 2001 e 2011 está ilustrado na Tabela 7. Percebe-se que entre os países há uma elevada correlação na atratividade dessa forma de investimento. Isso permite inferir que a entrada de investimentos diretos do exterior tende a crescer de maneira semelhante nas economias. Salienta-se que o maior grau de correlação foi notado no recebimento de investimentos estrangeiros entre as economias russa e indiana com 0,9334. Por outro, lado, o segundo maior coeficiente de correlação ocorreu entre China e Brasil, com 0,9060. Já o menor grau dessa correlação, no fluxo de investimentos diretos externos, foi calculado entre os países Brasil e Índia, com 0,7492. Esse fato vem mostrar o quanto são similares as economias do BRICs no que tange às preferências das corporações multinacionais em ampliar ou iniciar suas operações nesses mercados.

Conclusão

O investimento direto externo caracteriza-se como estratégia de internacionalização por parte das grandes corporações e implica na transferência de recursos reais e avanço tecnológico entre países. A análise global dos fluxos de investimentos demonstra o seu crescimento em quase todas as regiões mundiais. As economias em desenvolvimento registraram uma taxa média anual de crescimento de ingresso no fluxo de investimentos de 12,0% ao ano, no período de 2001 a 2011, enquanto os países desenvolvidos exibiram uma variação média anual de 2,7%. Já com relação à remessa de investimentos para o exterior, essa posição é invertida, com uma taxa média anual de 6,5% para o primeiro grupo e 20,4% ao ano para o segundo grupo de economias.

A dinâmica dos fluxos aponta que cada vez mais as grandes corporações mundiais buscam novos mercados e maior eficiência em suas atividades internacionais, em especial nos mercados emergentes. Nesse contexto, as empresas multinacionais não financeiras dos setores de petróleo como a British Petroleum, a Royal Dutch Shell e a Exxon Mobil e de veículos, como a Toyota Motor foram, nas economias desenvolvidas, as que apresentaram maiores taxas de crescimento em termos de ativos externos e totais no período de 2001 a 2011. Allianz e HSBC Bank caracterizaram-se como as instituições financeiras que mais expandiram suas operações em termos geográficos no período. Já as corporações China National Offshore Oil Co, Vale S ⁄A e Noble Group Ltd foram as representantes dos países do BRICs que mais aumentaram os investimentos externos, com uma taxa de crescimento de cerca 30% ao ano no período.

Os resultados mostram que os países do BRICs, Brasil, Rússia, Índia e China foram os grandes receptores de investimentos diretos externos os quais exercem um papel bastante relevante na pauta exportadora dessas economias. A maior correlação ocorreu na China, com coeficiente de 0,9933, demonstrando que as variáveis relacionadas a estratégias de internacionalização crescem positivamente. A maior correlação negativa com esse tipo de investimento com taxa de desemprego ocorreu na maioria dos países, sendo a maior delas no Brasil, com índice de correlação 0,9037, evidenciando a teoria econômica de o que os investimentos diretos externos têm implicações positivas sobre a taxa de emprego.

Por fim, como pesquisa futura, sugere-se uma análise mais detalhada com modelos econométricos que permita identificar o papel dos investimentos diretos externos no crescimento econômico nas demais variáveis macroeconômicas. Isso ajudaria a estabelecer as possíveis diferenças ou semelhanças entre os países do BRICs, possibilitando maior entendimento da globalização como fator positivo ao crescimento econômico dos países, sobretudo os de mercado emergente.

Maio de 2015

Notas

[1] Vejam-se AMAL e SEABRA (2007), CARDOSO Jr. (2010), CAVUSGIL et al. (2010), KRUGMAN e OBSTFELD (2010), PEZZI e TRICHES (2009), LAPLANE e SARTI (2002) e (1999), MUSSI (2010), entre outros.

[2] Uma discussão teórica sobre essa abordagem pode ser encontrada BAUMANN et al. (2004), BENASSY et al. (2005), CAVES e FRANKEL (2001), CAVUSGIL et al. (2010), LAPLANE e SARTI (2002), KRUGMAN e OBSTFELD (2010), PEZZI e TRICHES (2009), STAL e CAMPANARIO (2010), TRICHES e RAGUSE (2006), VIEIRA e VERÍSSIMO (2009), WILLIAMSON (1999), WILSON e PURUSHOTHAMAN (2003), inter alia.

[3] Segundo a UNCTAD (2012), os fluxos de investimento direto externo com sinal negativo significam que, pelo menos um entre os três componentes do investimento direto externo (empréstimos intercompanhias, participação no capital e lucros reinvestidos) é negativo, portanto, não é superado pelos valores de outros componentes. Esses são casos de “investimento inverso” ou “desinvestimento”.

[4] Em 2011, das 100 maiores corporações transnacionais dos países em desenvolvimento 69 são de nacionalidade asiática (29 delas são de Hong Kong e da província chinesa de Taiwan e dez da China) e as demais estão distribuídas entre a América Latina e a África, conforme a UNCTAD (2011).

[5] Essa corporação perde apenas, em termos de geração de emprego, para a americana Wal-Mart Stores com 2,055 milhões e da outra de Taiwan a Hon Hai Precision Industries no ramo de eletricidade e produtos elétricos, com 961 mil. Em quarta posição aparece a outra norte-americana, a US Postal Service com 785, 9 mil empregos conforme a Fortune – Top Ten Global Employers.

Bibliografia

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Esta matéria faz parte do volume 23 nº4 da revista Política Externa
Volume 23 nº 4 - abr/mai/jun 2015 Revista Política Externa

A situação geopolítica da Ásia neste século é tão peculiar como tensa devido às aspirações de seus três principais atores. Japão, China e Coreia ainda não resolveram questões históricas entre si, mantêm alianças antigas e atuais que se conflitam e, curiosamente, preservam os legados de seus três velhos líderes.

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