Política Externa

Grécia: a festa, a ressaca e as torcidas de James Angelos / Nikos Tsafos

por em 21/11/2015
Grécia: a festa, a ressaca e as torcidas

The Full Catastrophe: Travels Among the New Greek Ruins 1
James Angelos

Beyond Debt: The Greek Crisis in Context 2
Nikos Tsafos

“The Greek Warrior: How a Radical Finance Minister Took on Europe – and Failed” 3
Ian Parker

“Cruel é uma economia do tamanho do Alabama
na primeira página do ‘Financial Times’ todo dia”.
Trooper707, comentando em 26 de julho matéria do
Financial Times sobre o resgate da Grécia. O comentarista anterior
havia dito que era “cruel” obrigar a Grécia a deixar o euro.

A atenção à Grécia no Financial Times e na opinião pública em geral não guarda proporção com o tamanho da economia, uns 2% do PIB da zona do euro. Nem com a população, de pouco mais de 11 milhões, quase igual à do município de São Paulo. Lá também transporte é problema sério, por motivo especial: são 6.000 ilhas e ilhotas que têm soberania grega, das quais 227 são habitadas. Muitas delas são destinos turísticos paradisíacos, inclusive a ilha de Aegina, onde está a casa de férias de Yanis Varoufakis, meteórico ministro das Finanças da Grécia no primeiro semestre de 2015 e a mais nova celebridade da extrema esquerda europeia. Outras não são mais que rochedos, e um deles quase levou a guerra com a Turquia em 1996.

A crise da Grécia tem sido discutida no mundo inteiro por trazer de novo à tona as contradições do euro e as indagações sobre o seu futuro, assim como já aconteceu quando a grande recessão de 2008-2009 atravessou o Atlântico, chegou à Europa, e revelou a fragilidade dos países europeus de mais alto risco de crédito, os PIIGS (sigla que junta Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). E uma das razões é precisamente que o euro não funciona para a Grécia e seus vizinhos da mesma maneira que funciona o dólar para o citado estado de Alabama e estados americanos com economia dez vezes maior, como a Califórnia.[1] Nunca funcionou e é possível que jamais venha a funcionar.

Ainda assim, não há como atribuir a culpa apenas ao euro, ainda que se concorde com o ex-presidente francês Valéry Giscard d’Estaing que declarou em setembro de 2012: “Com toda franqueza, foi um erro aceitar a Grécia [no euro]. A Grécia simplesmente não estava pronta”. A complicação é que tentar consertar o erro com “Grexit” e a volta a uma moeda nacional com desvalorização cambial mínima de 25% agravaria ainda mais as catastróficas condições da Grécia e enfraqueceria também a zona do euro.

De todo modo, para além da dívida insustentável, do gasto público incorrigível e das limitações do euro como moeda comum de dezenove países europeus, há razões bem específicas para a crise grega. Pode-se atribuir até a Sólon de Atenas, que em 594 antes de Cristo aboliu a escravidão como punição por dívida, o DNA rebelde dos helênicos. Sem ir tão longe, uma imagem idealizada da Grécia da Antiguidade, considerada berço da civilização ocidental e origem de alguns dos seus maiores intelectuais e obras de arte, continua informando até hoje o comportamento político de parte da população grega. Não são poucos os gregos que se entendem por descendentes diretos de Platão e Aristóteles, mesmo que a história do desmoronamento do Império Otomano revele que as origens são bem mais diversas.

James Angelos, jornalista de origem grega, persegue várias linhas de pesquisa que permitem entender por que o tamanho e a influência do país hoje não guarda proporção com seu peso simbólico no mundo. Além de leitor de Platão, manteve sempre um contato estreito com a Grécia e seus familiares que lá permaneceram. Entre o espanto e a empatia, suas grandes reportagens incluem o cotidiano e a história de vida de um grande número de personagens, não só em Atenas, também em ilhas bem longe do centro. O tom é por vezes irônico, ao tratar de hábitos culturais arraigados, feridas históricas (como a interminável rivalidade com a Turquia), preconceitos (reforçados pela falta de separação entre Igreja e Estado), e reiterados escândalos (corrupção relacionada com a compra de armamentos, fraudes na obtenção de benefícios da previdência, sonegação de impostos).

Zakynthos é uma das ilhas paradisíacas, mais perto da Itália. Angelos soube dela num jantar em Berlim, alguém lhe perguntou se ouvira falar da “ilha dos cegos”, onde um número absurdo de pessoas diagnosticadas como cegas recebiam pensão do governo. Angelos pensou irritado: “Esses alemães! Provocando os gregos mesmo com Atenas pegando fogo”. Nesse momento, fins de 2011, o governo em Atenas executava o programa de austeridade associado ao primeiro resgate, cortando salários, pensões e gastos sociais, e ocorriam em Atenas maciças demonstrações da oposição, que levariam à eleição de 2012.

Angelos foi investigar: leu relatos na imprensa grega e alemã, foi ao Ministério da Saúde grego, que começara a investigar o caso, ouviu representante da Organização Mundial da Saúde, foi a Zakynthos e falou com moradores, o oftalmologista dos atestados, o prefeito que assinava a concessão dos benefícios, conseguiu entrevistar uma das deficientes visuais que o enxergou perfeitamente. O resultado é um relato espantoso da extensão da fraude, em que cada envolvido apresenta sua justificativa, inclusive os beneficiados e os que consideravam que a oposição inventava “aposentados fantasmas” só para atacar o governo ou que a investigação só se fazia para agradar a Comissão Europeia. Inquérito preliminar da polícia em Zakynthos verificou que 498 das 680 pessoas que requeriam o benefício não tinham justificativa, 61 tinham inclusive carteira de motorista. Segundo pesquisa da OMC, a proporção de cegos era nove vezes maior que a estimativa para outros países europeus.

Em Zakynthos a investigação do Ministério da Saúde terminou em responsabilização criminal do prefeito, do médico que assinou falsos diagnósticos e dos que indevidamente haviam conseguido o benefício, bem como barcos cheios de passageiros. Um hospital de Atenas foi encarregado pelo governo de rever os benefícios e Zakynthos fica longe. Na fila para o oftalmologista, um cego cansado da viagem lamenta que não tinha o benefício, não tivera dinheiro para pagar a propina.[2]

A fraude não está limitada a Zakynthos nem a deficientes visuais. Trata-se antes de uma análise de como tanto a distribuição de benefícios quanto a investigação de corrupção funciona às vésperas das eleições e nas mudanças de governo. E de como os eleitores às vezes têm dúvidas sobre a justeza na correção das fraudes. Em Hydra, uma ilha mais pobre, Angelos relata as reações a uma das investidas do governo para controlar evasão fiscal, no verão de 2012 (já depois do segundo resgate). De novo temos uma tentativa atabalhoada de fiscalização: a polícia tenta levar presa a dona de um restaurante antigo, gerido apenas por mãe e filho. Alguém havia acusado a mulher de não dar nota fiscal. Quando a notícia se espalha pela ilha, os moradores se reúnem e invadem o barco da polícia ancorado no porto, para impedir que os supostos sonegadores sejam levados.

O mesmo padrão de uma correção percebida como injusta pelos atingidos se verifica no caso de contas que não fechavam no município de Pangaio e que levaram ao assassinato do prefeito. Os assassinos, tesoureiros do município, acabaram presos. Mas continuaram por quase quatro anos recebendo na cadeia seus salários. Angelos investiga o caso nos mínimos detalhes, inclusive as dificuldades das famílias depois que finalmente se aprovou um regulamento abolindo a perpetuidade constitucional do cargo público dos assassinos. Em 38 páginas, o capítulo “Murder in the Civil Service”, além do assassinato em Pangaio, relata a batalha do governo em 2013 para fechar a TV e rádio estatal ERT e demitir seus 2.660 funcionários, que ocuparam o edifício e mantiveram a ocupação por cinco meses até que a polícia o retomou em novembro de 2013.

Outro relato assustador é o das tentativas de reduzir funcionários administrativos na Universidade, que levou à greve, inclusive de professores (e durante a qual grevistas continuaram recebendo, pois os grevistas controlavam a tesouraria). Aparecem os vários discursos e argumentos nas assembleias de funcionários, professores e estudantes na rebelião coordenada do verão de 2013. A impressão que fica é que é quase impossível reformar a burocracia e introduzir meritocracia em um país em que um quinto da força de trabalho está na administração pública e estatais, em cargos que a Constituição considera terem perpetuidade. O mesmo capítulo mostra também como vai se ampliando o apoio ao partido Syriza nos protestos contra demissões e cortes de benefícios, além da hostilidade aos credores e, sobretudo, aos alemães.

Mais outra ilha, Imia, mesmo sem ser mais que um rochedo e dez acres de terra com cabras selvagens, quase levou à guerra com a Turquia em 1996, para decidir quem ali hastearia sua bandeira. Um cargueiro turco acidentalmente encalhou nos rochedos e se recusou a ser desencalhado pelos gregos. Seguiu-se uma guerra entre equipes de TV dos dois países, cada uma filmando uma bandeira arrancada e substituída pela do outro país. A TV grega levou um barco com gente das ilhas vizinhas, inclusive um padre da Igreja Ortodoxa em roupas negras, que comparou os homens presentes no rochedo com aqueles que defenderam a fronteira leste do Império Bizantino contra os invasores muçulmanos. Navios de guerra gregos e turcos ancoraram ao redor das rochas, até que a intermediação do presidente Bill Clinton levou a um compromisso de ambos os países de não hastear bandeira nenhuma no rochedo.

Quando mais tarde o primeiro-ministro Costas Simitis, recém-empossado, agradeceu no Parlamento a intervenção dos EUA na crise de Imia, foi vaiado. Na percepção dos gregos, o episódio fora uma humilhação. Raiva de quem ainda vive a idealizada Grécia da Antiguidade contra raiva dos que perderam um Império? Mais que a rica descrição das cenas, dos símbolos e da retórica, impressiona o impacto sobre os gastos militares. Como proporção do PIB, já eram mais altos na Grécia que na maioria dos países da União Europeia. Depois do conflito de Imia houve um maciço programa de modernização, de quase 17 bilhões de dólares: foram comprados jatos americanos, submarinos e tanques alemães, mísseis russos, artilharia Checa. Entre 2002 e 2006, a Grécia tornou-se o quarto maior importador mundial de armamentos. Pior ainda, as compras de armamento originam escândalos de propinas e lavagem de dinheiro que se investigam ao longo de décadas, como o que levou à prisão do ex-ministro da Defesa Apostolos Tsochatzopoulos em 2012. Compreende-se que na Grécia seja voz corrente que ninguém é ministro da Defesa sem ficar rico e que o segundo programa de resgate da chamada “troika” (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu, e Comissão Europeia) incluísse a cláusula de redução de compras de armamento.

Angelos passa das ilhas a Atenas. O capítulo “The Resistance” trata dos despropósitos da recepção ao presidente alemão, o pastor Joachim Gauck, em sua visita oficial a Atenas em março de 2014. O pano de fundo são as memórias da resistência grega à ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial, em particular a atuação passada e presente de um dos heróis da resistência, Manolis Glezos. Glezos é um dos líderes da ala esquerda do Syriza, que exige cancelamento da dívida como reparação por danos e mortes causados à Grécia pela Alemanha nazista. Na retórica de Glezos, Syriza está em uma batalha ideológica de proporções épicas contra as regras neoliberais do governo alemão que atende aos bancos e grandes capitalistas, do mesmo modo como os comunistas da Grécia foram a principal força da resistência contra os invasores durante a Segunda Guerra. Os políticos do Syriza garantem a seus eleitores que a culpa não é do povo, e sim do capitalismo descontrolado. (The Full Catastrophe, p. 100-101) Glezos foi o mais votado representante grego nas eleições de 2014 para o Parlamento Europeu (p.115).

Ainda que esse relato de elevado grau de hostilidade possa assustar, não chega a ser o mais grave. Outros capítulos são mais surpreendentes: um deles conta de manifestações diversas contra os turcos, em que a raiva é continuamente realimentada pelos clérigos da Igreja Cristã Ordodoxa (The Apostate); outro mostra a contradição entre a famosa hospitalidade com os turistas e as brutais condições de vida dos imigrantes que se instalam na Grécia, bem como o tratamento desolador recebido pelos que estão apenas em trânsito na esperança de partir para outros países europeus[3] (Europe’s Hopefuls); e o terceiro mostra a ascensão do partido ultranacionalista de direita “Manhã Dourada”, o “partido-não-neo-nazista-por-razões-puramente-linguísticas” como diz Angelos entre temor e sarcasmo (p.231). Apenas transcrevo, desse capítulo, a declaração que esse partido, cujo lema é “Estrangeiros fora da Grécia”, publicou em seu site com o título Nacionalistas ou nazistas? Uma resposta: “Nós somos nacionalistas e não nazistas, antes de mais nada por razões puramente linguísticas. Pois temos orgulho de usar a língua dos Deuses, a língua de Platão e Aristóteles, e não uma língua estrangeira, como o alemão, da qual se origina o termo nazista.”[4]

Boa parte dos problemas de longa data só veio à tona com toda nitidez quando, para citar Nikos Tsafos, “a Grécia não mais conseguia convencer os investidores a lhe emprestar dinheiro a juros razoáveis”: em 2008 a Grécia ainda conseguia obter crédito no mercado a pouco menos de 5%, em abril de 2010 o juro estava batendo em 8%. A dívida chegara a 129% do PIB no fim de 2009. Assim veio, em maio de 2010, o primeiro empréstimo da chamada “troika”, de 110 bilhões de euros, junto com um programa de ajuste fiscal para reduzir o déficit do orçamento público (que então estava em 15,6% do PIB, depois de sucessivas revisões).

A abordagem de Nicos Tsafos não é como a de James Angelos, que se lê como um romance de suspense. Tsafos já teve um blog bilíngue (grego e inglês) sobre a crise grega, registrando as discussões sobre dívida e default. Seu enfoque declarado é buscar “como mudanças na economia afetam a política e como a política afeta a economia” (p. 10) e não é leitura fácil, com todas as idas e vindas e detalhes de composição partidária, cada vez que as frequentes eleições mudam o Parlamento. Mas também ele trata de explicar porque pouco mais de um ano depois da primeira crise da dívida foi necessário um novo empréstimo da “troika”, de 109 bilhões de euros, além de 50 bilhões de euros para a capitalização dos bancos privados obrigados a um “write down” de bônus governamentais.

Não se deram, depois de 2010, as condições políticas para levar a cabo a necessária redução de despesas e aumento de receitas. Essas condições, segundo Tsafos, continuavam inexistentes depois de 2012: “Essa obsessão com dívida era compreensível. (…) Mas a dívida era um sintoma, não a doença. (…) Analistas mostravam os vários problemas que a Grécia enfrentava – sonegação de impostos, excesso de gasto, corrupção, regulamentação exagerada – e em seguida recomendavam default e desvalorização cambial. Era como dar aspirina a uma pessoa que precisa de cirurgia”.

Ou seja, com ou sem moratória, dentro ou fora do euro, não há como fugir das reformas necessárias para destravar o potencial de crescimento da Grécia. Tsafos alude a um problema levantado no tempo das crises de dívida dos 1980s: o governo tem que se sentir “dono do programa de reformas”, não pode considerá-lo apenas condicionalidade do FMI (ou outros credores). Como se dizia então na ONU, em crítica ao FMI, era preciso “program ownership”, o próprio governo do país tem que assumir as reformas. Na Grécia parece que temos um caso extremo de governo que não se considera “dono do programa de reformas”. Isso é evidente tanto em The New Greek Ruins quanto em The Greek Warrior.

O establishment político na Grécia, ao que parece, ainda não aceita majoritariamente a necessidade de reformas na economia e na política. Continuam atribuindo seus males aos credores, que consideram seus opressores de agora e que, de diversas maneiras, identificam com opressores e atrocidades de outras épocas.

Nos últimos anos os gregos têm trocado de governo cada vez que começam a ter efeito tentativas iniciais de redução do gasto público. O Syriza ganhou as eleições em janeiro em campanha contra as várias medidas anteriores de ajuste fiscal, que estariam causando sofrimento aos mais pobres e deixando imunes ricos e capitalistas. Os relatos de James Angelos vão até janeiro de 2015: quando Alexis Tsipras, do Syriza, tomou posse, pela primeira vez a Igreja Ortodoxa Grega não foi incluída nos rituais da cerimônia. E pela primeira vez um partido de extrema esquerda chegava ao governo em um país da União Europeia.

O governo recém-empossado tratou de renegociar os termos dos acordos com os credores. Quando, em 30 de junho, a Grécia não pagou o FMI, juntando-se a outros três países em atraso (Somália, Sudão e Zimbábue), o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade enviou ao ministro das Finanças da Grécia um e-mail advertindo que, devido à falta de pagamento ao FMI, as regras da União Europeia permitiam exigir a imediata quitação de fundos devidos à União Europeia. Segundo Ian Parker a resposta de Yanis Varoufakis foi uma citação do rei de Esparta: “Molon labe” (ou “vem buscar”). Os assessores internacionais próximos de Varoufakis, James Galbraith, da University of Texas, e Jeffrey Sachs, da Columbia University, continuavam insistindo: exija redução da dívida e se não conseguir dê o calote. Em meio à renegociação, o primeiro-ministro Alexis Tsipras convocou um referendo sobre os termos que haviam sido propostos pelos credores. As pesquisas de opinião sempre mostram que a maioria dos gregos é pela permanência no euro, e assim o “não” dos 61% que votaram contra os termos do acordo em 5 de julho continua sem interpretação unívoca.

Varoufakis considerava inevitável que o resultado do referendo fosse “sim” e que ele iria pedir demissão, “riding into the sunset”, como declarou a Ian Parker. O resultado foi “não” e Varoufakis foi demitido. O Syriza, dividido, perdeu sua maioria no Congresso quando o primeiro-ministro Alexis Tsipras aceitou os termos do memorando de entendimento da Cúpula do Euro, uma declaração conjunta de dezenove países da zona do euro, em 12 de julho de 2015. Mas o Parlamento grego aprovou essas novas condições. Quase ao fim da Declaração lemos: “A Cúpula do Euro frisa que cortes nominais da dívida não podem ser feitos”. (“The Euro Summit stresses that nominal haircuts on the debt cannot be undertaken”.) Medo do contágio, por certo. Varoufakis reapareceu transformado em oposição, depois de defender em artigo no Financial Times[5] seus “métodos heterodoxos para ter acesso aos sistemas do meu próprio ministério” que resultaram em atrito com o primeiro-ministro Tsipras.

A crise da dívida grega não acabou, há apenas um novo compasso de espera. Em 20 de setembro de 2015 os gregos irão às urnas pela 6ª vez em sete anos. Dessa vez o governo convocou novas eleições com a alegação de que precisa de apoio para aplicar uma austeridade que seja a favor do povo.
Setembro de 2015

1. Crown Publisher, New York, 2015, 304 pp.
2. CreateSpace, North Charleston, SC, 2013, 168 pp.
3. The New Yorker, August 3, 2015 issue, 25 pp. www.newyorker.com/magazine/2015/08/03/the-greek-warrior

Notas

[1] A propósito dessa diferença, Ian Parker, em seu perfil de Yanis Varoufakis, “The Greek Warrior”, reproduz um extenso diálogo sobre o papel dos bancos centrais que, segundo Varoufakis, teria ocorrido entre ele e Obama na Casa Branca em março de 2015, no coquetel de comemoração do dia da independência da Grécia. Obama teria recomendado a Varoufakis “engolir remédio amargo” depois que este se queixou: “Você herdou uma confusão quando tomou posse, mas pelo menos tinha o Banco Central (o FED) como apoio. Nós herdamos uma confusão e temos um Banco Central (o BCE) tentando nos sufocar”. A Casa Branca não quis comentar. Parker notou que Varoufakis gostava de contar histórias autoelogiosas de seus encontros com altos funcionários, confundindo tais diálogos com declarações oficiais.

[2] O ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia enumerou outros casos surpreendentes de benefícios injustos em “Os inacreditáveis talentos gregos”, O Estado de S.Paulo, 07/07/2015, p. A2.

[3] Angelos examina essa situação antes de 2015. Com o número muito maior dos refugiados que chegaram em 2015 (há notícia de que mais de 230 mil entraram na Grécia), as já precárias estruturas para atendimento sofreram um colapso.

[4] Que será que os ultranacionalistas gregos farão quando lembrarem que Pitágoras fundou a geometria?

[5] Something is rotten in the eurozone kingdom, Financial Times, 28 de julho de 2015.

Esta matéria faz parte do volume 24 nº1 e 2 da revista Política Externa
Volume 24 nº 1 e 2 - jul/dez 2015 O Histórico Acordo de Viena

O Acordo de Viena sobre o projeto nuclear iraniano evitou as consequências trágicas da hipótese de o Irã, país inserido na região mais tensa do mundo, obter armamento nuclear.

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