Política Externa

O euro na encruzilhada: terceira etapa da crise do Atlântico Norte de Thilo Sarrazin

por em 08/10/2012
O euro na encruzilhada: terceira etapa da crise do Atlântico Norte

John Gillingham, Design for a New Europe. Cambridge University Press, 2006, 287 pp.

Robert M. Solow and Daniel S. Hamilton, Editors. Europe’s Economic Crisis: Transatlantic Perspectives. Washington, DC, Center for Trans atlantic Relations, The Paul H. Nitze School of Advanced International Studies (SAIS), The Johns Hopkins University, Was hington, D.C. 2011, 118 pp.

Thilo Sarrazin. Europa braucht den Euro nicht: Wie uns politisches Wunschdenken in die Krise geführt hat. Deutsche Verlag Anstalt, München, 2012, 462 pp.

… y las vidas van siempre en borrador, tal como así las padecemos, nunca da tiempo a pasarlas en limpio.

Carmen Martin Gaite

No momento em que se inicia o verão europeu de 2012, ninguém chega a afirmar com convicção que a zona do euro, que integra 17 dos 27 países da União Europeia, vai desmoronar. Tampouco há certeza de que o euro pode se consolidar, mediante sistemas bancários e políticas fiscais unificadas, e algum progresso na unificação dos mercados de dívida soberana dos países da zona.

Consenso só existe agora na afirmação de que o que se entregou aos europeus há 14 anos foi um rascunho incompleto de moeda comum, cuja finalização foi sendo adiada. O euro não poderá continuar no formato institucional de origem. Ou, nas palavras de Solow e Hamilton introduzindo a coletânea do SAIS Center for Transatlantic Relations, “o status quo é insustentável”.

Desde o início, as análises dos economistas advertiam que a concepção original da moeda comum negligenciava leis básicas de funcionamento da economia. A zona do euro nunca chegou a ser concretização da “teoria da área monetária ótima” de Robert Mundell, ainda que este Nobel canadense seja considerado o padrinho do euro e continue afirmando, ainda em meados de 2012, que “o euro veio para ficar”. (E nisso subestima sua própria ressalva de que a correção dos defeitos da zona do euro, hoje, requer que as lideranças e o público concordem em deslocar a soberania do estado-nação para um centro de decisões unificado – algo cuja viabilidade política ainda não está garantida.) Para o economista e ex-membro da diretoria do Bundesbank (o banco central alemão) Thilo Sarrazin, no livro “A Europa não precisa do Euro”, a construção do euro ignorou leis econômicas ainda mais elementares, que ele assim resume:

  • “– Se sobem os preços ou as expectativas de preços, sobe a produção, se caem aqueles, cai esta.
  • “– Se uma atividade promete retorno seguro, haverá alguém que se dedicará a ela, tanto mais rápido quanto maior seja o ganho.
  • – Se vigoram direitos de propriedade, aumenta a disposição de investir.
  • – Se uma produção não é rentável, ela não será levada a cabo.
  • – Se prevalece a concorrência, todos os participantes se esforçam mais. Os produtos se tornam melhores, as tecnologias, mais inovadoras, os preços, mais baixos.

O comunismo e o socialismo de estado fracassaram, em última instância, porque não levaram em conta o suficiente essas regularidades elementares.” Idem para a zona do euro, como ele pretende mostrar em suas quase 500 páginas de detalhes tecnocráticos e jurídicos, cifras e autobiografia de seus passados cargos no funcionalismo público.

A crise do euro não é estritamente europeia. Como aparece nos autores da coletânea do SAIS Center for Transatlantic Relations, a crise do euro é a terceira etapa da crise financeira do Atlântico Norte.

A crise americana, deflagrada pelo estouro da bolha imobiliária, inicialmente se transmitiu à Europa via sistema financeiro, atingindo apenas algumas poucas instituições financeiras europeias mais expostas a derivativos dos Estados Unidos, especialmente bancos alemães. O contágio inicial se manifestou como aumento da desconfiança entre os bancos. Como observa Hans-Helmut Kots, no terceiro capítulo da coletânea do SAIS Center, a perda de confiança que levou à corrida bancária do Northern Rock em 2007 (a primeira corrida bancária na Inglaterra desde meados do século XIX) de fato já havia ocorrido bem antes, em silêncio, quando esse banco hipotecário não conseguiu mais rolar sua dívida no mercado interbancário.

Depois do colapso Lehman/AIG generalizou-se a incerteza entre os bancos na Europa, que deixaram de emprestar uns aos outros, congelando o mercado interbancário. Nenhuma instituição sabia quão criticamente exposto estava o banco contraparte, nem conseguia calcular com certeza seu próprio grau de fragilidade. O Banco Central Europeu, depois de 2008, passou a expandir liquidez (embora bem menos que o Fed) para manter a estabilidade no mercado financeiro, tentando de certa forma um papel de intermediação entre os bancos e ampliando a lista das garantias que passou a aceitar. Diferente da política monetária, em vários países europeus houve intervenção do governo de apoio e até de resgate de instituições financeiras frágeis.

Antes de 2008 a crise na Europa parecia contida no sistema financeiro, e alguns até alimentaram a ilusão de desacoplamento, de que os europeus, ou pelo menos os alemães, escapariam da recessão que grassava do outro lado do Atlântico Norte. Mas, com o impacto da crise na economia real e sua pesada contração em 2009, políticas fiscais de estímulo foram adotadas em toda parte, até mesmo, com relutância, na Alemanha.

Por alguns anos detentores de bônus e mercados financeiros haviam subestimado as diferenças de estrutura entre os países membros da união monetária. Um efeito halo do marco alemão perdurou algum tempo, e fez com que investidores e mercados financeiros percebessem os títulos de dívida dos vários Tesouros nacionais como tendo grau de risco semelhante. É esta a base para a afirmação de Gillingham em 2006, de que “o euro beneficia em particular as economias-membro mal administradas, ao melhorar artificialmente seu risco de crédito”. (p.63)

Os spreads que agora causam tanto alarme eram relativamente baixos, o que permitiu elevados déficits e rápidos aumentos da dívida pública. Isso acabou em fins de 2007. Isto é, com a contração de 2009, quando se tornou necessário estimular a economia com políticas expansionistas, não só diminuíra a arrecadação como o endividamento público já era tão alto que gerava temores de défault nas economias mais frágeis da zona.

O que agora se conhece por “crise da dívida soberana”, imbricada com a vulnerabilidade dos sistemas bancários nacionais, veio à tona em 2010. Foi quando se espalhou que a Comissão Europeia verificara que as estatísticas fornecidas pelas autoridades gregas não eram confiáveis desde 2004. E os detentores de bônus se deram conta do “fator nacionalidade”, propagando-se a crise no sistema bancário a partir dos bancos mais expostos àqueles títulos de dívida pública que passavam a ser percebidos como de alto risco.

Os autores reunidos pelo SAIS Center revisitaram, sobretudo nos dois primeiros capítulos, o debate teórico sobre o efeito do estímulo fiscal ou da contração fiscal sobre o crescimento econômico e, junto com ele, a questão da sustentabilidade do déficit fiscal e da dívida pública. Esse é um debate familiar para os economistas latino-americanos na década de oitenta. A dificuldade é como a “confiança” ou a avaliação do risco de inadimplência percebido entra na equação da sustentabilidade. No caso da zona do euro isso se complica com a possibilidade, em tese, de um país abandonar a moeda comum.

Lembro de um intenso debate na CEPAL, há quase duas décadas, em um dos seminários sobre déficits de orçamento e de balanço de pagamentos na América Latina: até que percentagem do PIB seriam sustentáveis? Um alto funcionário da CEPAL, o cientista político ítalo-chileno Ernesto Ottone, interveio irônico: “Ora, o déficit é sustentável até que deixa de ser.”

É essa mesma a conclusão do debate teórico no primeiro capítulo da coletânea do SAIS Center: “A resposta honesta é que não sabemos em que ponto exatamente um dado país se defrontará com a perspectiva de um défault soberano, e isso certamente depende de vários fatores, e não apenas da razão dívida/PIB. Cada país tem que avaliar o risco de elevados níveis de endividamento comparado ao perigo de demanda fraca e crescimento anêmico durante a recuperação.” (p.13)

No caso do euro, não adiantaram os tetos do Tratado de Maastricht, fixados em 3% do PIB de déficit orçamentário e 60% de dívida pública. A punição dos mercados a cada um dos 17 sistemas bancários e aos bônus dos 17 Tesouros nacionais apenas em parte tem a ver com esses percentuais desrespeitados.

Existem fatores internacionais agravantes da heterogeneidade das economias europeias que tornam mais complicada a busca de uma solução para a crise do euro. As relações entre o euro e o dólar (e das duas moedas com o renminbi) são discutidas por David Calleo na coletânea do SAIS Center. Com o euro houve menos flutuação em relação ao dólar do que havia em relação às antigas moedas nacionais. Isso estava entre os propósitos de sua criação.

Dadas as dimensões da crise, o euro até que manteve razoavelmente o seu valor. Isso se deve, sobretudo, à economia exportadora mais forte no centro do euro, a Alemanha, que ganhou competitividade em relação às demais, em parte porque os salários no país têm crescido menos que a produtividade desde 1995 e os aumentos de salário estão contidos desde 2004; mas também porque, como fornecedor de equipamento industrial com uma aglomeração de setores que permite mudar rapidamente de um produto a outro, beneficiou-se do boom de investimentos asiático. O gradativo declínio do dólar desde 2002 prejudicou mais as economias exportadoras europeias mais fracas, e favoreceu a Alemanha na medida em que o euro teria se valorizado caso fosse semelhante o desempenho exportador de todas as economias do euro.

Ainda que seja essencial a discussão técnica de suas bases econômicas, apresentada da forma mais ponderada na coletânea do SAIS Center, a explicação da crise é tanto econômica quanto política. É política a origem do euro. Mais ainda, depende da política a sua chance de sobrevivência: será que já foram atingidos os limites políticos do que os governantes podem fazer em coordenação para salvar do esfacelamento a zona do euro?

As motivações políticas não são as mesmas em cada país-membro. São detalhadas, de ângulos diversos, nos dois autores acima, que tendem para eurocéticos: John Gillingham, um historiador americano professor da University of Missouri-St. Louis, e Thilo Sarrazin, envolvido no acalorado debate sobre as medidas de salvação do euro em 2012.

Em 2006 a crise do Atlântico Norte ainda não tinha chegado à Europa de modo que o “Desenho para uma Nova Europa” de Gillingham não é tanto sobre o euro, e sim, sobre a União Europeia no longo prazo. Para ele a razão de ser da União Europeia é basicamente a de fortalecer a democracia dentro da Europa e em suas fronteiras. Defende enfaticamente a expansão territorial da União Europeia aos países ex-comunistas do leste europeu, estende-se sobre o dano à democracia causado pelo bloqueio ao acesso da Turquia, protesta contra o alto custo e injustiça da política agrícola protecionista (a CAP, que teria destruído a rodada de Doha da OMC). O ataque mais feroz é à centralização burocrática em Bruxelas, que quer eliminar, pois o “déficit democrático” faz com que falte legitimidade política às reformas necessárias ao avanço europeu. Em sua análise e em seus excessos retóricos, sua simpatia manifesta vai para os países mais estreitamente alinhados com Washington.

Como parte do projeto europeu que permita o crescimento econômico, Gillingham discute a política de ciência e tecnologia na Europa, para a qual, em um capítulo de quase 50 páginas, “Innovation”, não tem uma só palavra favorável. O capítulo 5 da coletânea do SAIS Center é incomparavelmente mais esclarecedor sobre o papel da ciência e tecnologia no crescimento.

Ainda que economia não seja o forte desse historiador, ele avisou já em 2006 que era ficção que todos os bônus tinham credibilidade igual, e que vários países não estavam cumprindo os acordos fundadores da moeda comum (p.66). Profeticamente, advertiu que havia risco de pânico financeiro quando os detentores de bônus percebessem que não havia garantia de que seriam pagos (p.57): “A reforma da União Monetária Europeia precisa começar antes que algum país fique terminalmente doente.” (p. 69) A solução que ele propõe, sem muita explicação, é manter o euro, porém reintroduzir em paralelo as moedas nacionais.

Curioso indicador da defasagem de cada livro em relação à rapidez dos eventos é a crítica de Gillingham ao “dirigismo” do relatório de 2004 da “Mesa-Redonda sobre um projeto sustentável para a Europa de amanhã”, convocada pelo então presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi e dirigida por Dominique Strauss-Kahn – um personagem que por ora desapareceu do teatro político europeu.

Motivações políticas da criação do euro marcam também o último livro de Thilo Sarrazin, o economista e político social democrata que se tornou um dos mais ferozes críticos das medidas que estão sendo pouco a pouco acordadas para conter a derrocada do euro, embora tenha apoiado a moeda comum em sua origem.

O livro, “A Europa não precisa do euro”, esteve na lista de best-sellers logo depois de sua publicação, em 23 de maio de 2012. Dificilmente isso se explica por sua minuciosa argumentação econômica e jurídica. Tampouco pela insistente defesa da austeridade e da responsabilidade de cada governo por seus erros ou acertos, e de cada povo por seu estilo de vida, e especialmente por suas próprias dívidas. Sarrazin se propõe a responder a pergunta sobre se a Europa precisa do euro, ou se não precisa, e não consegue comprovar empiricamente uma coisa nem outra, apesar do título retórico. A pergunta não é relevante no momento atual. No debate técnico na Alemanha, as questões mais importantes são “Qual é o custo de deixar o euro afundar?” “Quanto custará salvá-lo?”. Disso não trata o livro de Sarrazin.

O sensacionalismo em torno do livro vem mais de algumas tiradas provocadoras: ”Agora, de repente, a paz e o bem-estar na Europa só são possíveis se existir não apenas uma moeda comum, mas também um orçamento público comum, pelo qual no fim das contas cada país é responsável pelas contas de todos os outros?” Nas apresentações orais tem sido ainda mais agressivo, acusando os gregos de se apresentarem como “perseguidos econômicos”.
Desde que foi obrigado a se demitir do Bundesbank, espalhou-se a reputação de panfletário de Sarrazin e ele provoca deliberadamente quando diz que o euro é produto da fantasia (“Wunschdenken” é o mesmo que “wishful thinking”, para o que não sei de uma boa expressão em português), pergunta se o sentimento de culpa dos alemães pela II Guerra Mundial e o holocausto não estaria influenciando decisões que deveriam ser tomadas na base de raciocínio econômico, e quer que se discuta se a Alemanha continua refém da culpa do pós-guerra e por isso deve fazer sacrifícios especiais em nome da solidariedade europeia. A provocação certamente não ajuda a sua própria causa de uma economia liberal.

Contudo, na encruzilhada do euro, impressiona a sua frase de que não adianta chorar por decisões erradas do passado, mas “por outro lado, é perigoso e prejudicial prosseguir em algo fundamentalmente errado só porque um dia começamos a fazê-lo” (p.26). Mas essa abordagem é simplista e, para quem em cada página quer uma decisão supostamente racional, foge da questão concreta: Quanto custa perder e quanto custa salvar o euro? E não só em termos econômicos.

Aparentemente Sarrazin está isolado. O Partido Social Democrata (SPD), ao qual Sarrazin é filiado desde o início dos anos 70, tratou de se distanciar publicamente das suas posições. Aliás, o SPD já tentou expulsar esse seu membro difícil. No período em que ele esteve na diretoria do Bundesbank (2009-2010) ali o afastaram dos assuntos internacionais.

Membro da oposição na Alemanha não é o mesmo que eurocético. Assim como se distanciaram de Sarrazin, os principais economistas do SPD rejeitaram as teses do manifesto de 172 economistas acadêmicos liderados pelo presidente do IFO (um dos maiores institutos de pesquisa econômica da Alemanha, sediado em Munique), Hans-Werner Sinn, que saiu a público em 5 de julho. Essa carta dirigida a “caros concidadãos” declara erradas as decisões da Cúpula da Zona do Euro de 29 de junho e seu objetivo explícito é influenciar as votações no Parlamento alemão, pelo qual obrigatoriamente tem que passar qualquer acordo de política externa do país.

O texto é “sarrazinesco” não só pelas teses, mas pelo tom populista: bancos devem poder falir, não se pode admitir a socialização das dívidas, os próprios credores devem responder por suas perdas, a união bancária europeia significa que os contribuintes terão que arcar coletivamente com as dívidas dos bancos, o resgate dos bancos só beneficia Wall Street e a City de Londres, e uns poucos investidores alemães e bancos nacionais e estrangeiros que continuarão fazendo seus negócios à custa dos cidadãos.

O manifesto em torno de Sinn foi pesadamente criticado na Alemanha. Logo surgiu um contra-manifesto iniciado pelo economista de Berlim Frank Heinemann, que em três dias havia sido assinado por mais de 100 economistas opostos às teses de Sinn. Paradoxalmente aderiram ao contramanifesto alguns dos que haviam assinado o de Sinn.

Economistas estrangeiros entraram na discussão, de Princeton a Bolonha, em particular nas páginas do Financial Times Deutschland (uma das principais fontes de informação econômica para o empresariado alemão). O economista Barry Eichengreen, um respeitado especialista no tema “moedas”, argumenta em suas páginas que, ainda que não proponham abertamente o fim do euro, as teses de Sinn implicam a volta às moedas nacionais.[1]

Segundo Eichengreen, o euro não poderá sobreviver sem uma fiscalização bancária unificada, sem alguma forma de garantia comum de depósitos e sem fundos comuns para apoiar a capitalização de bancos, nos casos em que isso seja determinado pela instituição fiscalizadora comum. Um tanto dramaticamente, afirma que só a Alemanha tem recursos para salvar o euro e que o destino deste depende do que os alemães decidirem sobre a união bancária. Mas, para consolo do público, esclarece que a garantia comunitária dos depósitos não significa que o contribuinte alemão terá que se responsabilizar pela conta; existiriam maneiras de obter dos bancos contribuições para os fundos necessários.

Motivo para ceticismo existe. A cúpula do euro aprovou um “mecanismo único de supervisão bancária” envolvendo o Banco Central Europeu. Esse mecanismo de supervisão, que se situará no BCE, é que poderá determinar em que casos o novo fundo de resgate, o Mecanismo de Estabilidade Europeu, poderá recapitalizar bancos diretamente, que seria a maneira de “quebrar o círculo vicioso entre bancos e soberanos” considerado necessário. Ficaram faltando os detalhes: quais serão as regras para que essa recapitalização se dê, quais serão as “condicionalidades apropriadas” que ainda terão que ser formalizadas em um Memorando de Entendimento.

Independente da “briga dos economistas” sobre a união bancária europeia (que incluiu até termos como “diletantismo” e “economia de botequim”), o fato é que a chanceler Angela Merkel conseguiu aprovar no Parlamento alemão o acordo de 29 de junho (com ajuda do Partido social-democrata SPD e do Partido Verde), e que até agora as pesquisas de opinião informam um alto nível de apoio doméstico às suas decisões.

O que acontecer com a zona do euro – seu desmoronamento ou o seu avanço para uma integração fiscal e bancária e mais unidade política – terá impacto sobre os demais países da União Europeia de 27 membros. Mas tem razão Timothy Garton Ash de que é intempestivo discutir agora novas regras para as relações entre os membros do euro e os demais: seria como ver a casa do vizinho em chamas e chamá-lo para reclamar que as folhas do jardim dele estão caindo na sua piscina.

Notas

[1] Barry Eichengreen (Berkeley), Sinns Unsinn, Financial Times Deutschland, 11 de julho de 2012. Em alemão, o título, ”O disparate de Sinn“, permite um jogo linguístico, pois Sinn signifi ca sentido, e Unsinn signifi ca falta de sentido.

Esta matéria faz parte do volume 21 nº2 da revista Política Externa
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