Política Externa

Madrasas não são todas iguais de Mahfuzur Rahman

por em 18/09/2013
Madrasas não são todas iguais

Khoda Hafez vs Allah Hafez and Other Critical Essays*
Mahfuzur Rahman

From Naogaon to New York: An Unedited Memoir**
Mahfuzur Rahman

Terrorismo e violência, como tudo, não surgem do nada. Precisam de ambiente em que possam prosperar. Creio que os muçulmanos comuns, a maioria tradicional, oferecem parte importante desse ambiente. Certamente a afirmação vai causar espanto. Mas é hora de falarmos nesse assunto. (…) O muçulmano comum não sai por aí matando gente. (…) A culpabilidade dos muçulmanos comuns deriva em grande medida de sua falta de vontade ou de poder para abertamente fazer perguntas e expressar dúvidas em matéria de religião. Esse é talvez o fator mais importante que cria um ambiente em que o extremismo islâmico é nutrido.” (The Rise of Islamist Extremism: Are Mainstream Muslims Blameless?, in Khoda Hafez…, p. 98. Tradução minha.).

Mahfuzur Rahman não teme abordar esse assunto, depois do 11 de Setembro de 2001, e seu público-alvo está, sobretudo, em Bangladesh, país de mais de 160 milhões de habitantes dos quais 85% muçulmanos. A coletânea de artigos, na maioria sobre o islamismo na sociedade e na política bengali, tem ironia (britânica) no primeiro artigo, que dá o título: Khoda Hafez e Allah Hafez são a mesma saudação, dita em despedida, e têm o mesmo sentido, invocam um Ser Supremo, supostamente o mesmo. O sentido não parece muito diferente da nossa despedida de “Fica com Deus” ou “Deus o proteja”.

Viajando pelo Bangladesh em 2003, Mahfuzur Rahman notou que Khoda Hafez, a despedida tradicional, que tinha usado a vida toda, era enfaticamente respondida com Allah Hafez. Nas estradas, os antigos sinais haviam sido cobertos de tinta e agora se via Allah Hafez, e os dirigentes terminavam seus discursos com a nova invocação. Detectou a agenda política de islamização quando foi avisado de que usar a antiga saudação era pecado ou coisa de membros da Liga Awami.

Que os textos da coletânea tenham sido publicados no principal jornal em língua inglesa de Daca, The Daily Star (sobretudo em 2005, após os ataques suicidas no metrô de Londres, feitos em nome do islamismo), mostra que há algum espaço para crítica e heterodoxia em Bangladesh (e que é bem difundida a língua inglesa em sua capital de 15 milhões de habitantes). Mas, segundo Mahfuz (como chamávamos esse suave e tímido colega de ONU), é raro ver no país um exame sistemático “dos atos de muçulmanos engajados em uma guerra contra infiéis e contra muçulmanos que não têm a mesma ideia de islamismo” (p. 69).

Curiosamente, como observa Mahfuz, após o 11 de Setembro viram-se em Bangladesh mais chamados contra velhas tradições supostamente não islâmicas, como a rejeição a Khoda Hafez e a crítica ao sári em favor do uso do véu islâmico.[1] O novo neon de boas-vindas em árabe no aeroporto de Daca, instalado no início de 2003, vai na mesma tendência (antes era só em bengali e inglês).

Para Mahfuz, tal apologia defensiva do islamismo pós-2001, que levou inclusive à alteração do caráter secular da Constituição que prevalecia desde a independência, está deslocada quando o que importa é prevenir a violência: não basta citar frases do Corão segundo as quais “o islamismo é uma religião de paz”. Em sua exegese dos versos do Corão (que, aliás, era obrigado a ler todo dia em sua infância), nas diversas traduções bengali, nas interpretações mais citadas de comentadores religiosos, Mahfuz mostra que o Corão pode ser (e tem sido) citado tanto para legitimar violência e crueldade, quanto para defender paz e humanidade. Ambos não podem estar certos ao mesmo tempo.

Mahfuz procede analisando o papel que desempenham madrasas (as escolas de estudos islâmicos espalhadas por muitos países) e mesquitas, e a influência que tiveram alguns imames mais notórios em instâncias recentes. Estranha que após catorze séculos de existência e um bilhão de aderentes, os sermões que o muçulmano comum ouve em sua mesquita ainda clamem pela solidariedade dos muçulmanos como se estivessem sob a ameaça dos infiéis. Muitos imames ainda finalizam suas preces pedindo “ajuda contra a comunidade dos que não creem”.

A hostilidade à crítica, negando que no Corão haja versos que sancionam a “guerra contra os infiéis”, não ajuda a entender nem a enfrentar o terrorismo islâmico. Os versos que aparentemente justificam a violência são compreensíveis em certo contexto histórico, quando muitas sociedades, e não apenas os muçulmanos, tendiam à violência.

A ideia central em Khoda Hafez… é que a ideologia do terrorismo islamista[2] não pode ser combatida pelos muçulmanos comuns com ideias derivadas textualmente do próprio islamismo. Vai exigir ideias que vão além da pura fé. E implica a rejeição não da religião muçulmana, mas sim, do “islamismo político”, da exploração da religiosidade do muçulmano comum para construir um Estado fundado na religião.

Repetidas vezes Mahfuz mostra por que é preciso sair do casulo da religião e examinar o contexto histórico em que foram enunciados alguns princípios e estabelecidas as práticas do islamismo. Sua crítica maior é que tanto detratores quanto defensores do Corão ignoram o contexto. O “mundo islâmico” não é monolítico, é uma longa história de muitos povos e muitos governantes, com episódios de violência e episódios de perdão e tolerância.

Em sua autobiografia, From Naogaon to New York: An Unedited Memoir são ricos e comoventes os detalhes do cotidiano da família extensa desse muçulmano bengali e da rica tradição cultural bengali. Começa quando os caminhos do menino às margens do rio Jamuna e a lagoa em que todos se banhavam, hindus ou muçulmanos, ainda eram parte do império britânico. A madrasa em que estudava era mantida por Ganja Growers’ Cooperative Society. Ganja era o nome da marijuana, cultivada sob fiscalização do governo.

Já era década de quarenta: “Eu vou p’ra madrasa descalço. Todos os meus colegas na classe vão descalços. …O fato é que andar descalço na maior parte do tempo e na maioria dos lugares é o normal.” (From Naogaon… p. 22) E no entanto a madrasa dele era diferente, e belos os relatos da infância, quase como pinturas pela descrição carinhosa dos objetos, dos povoados, da casa paterna, das poucas peças de roupa, flores,[3]árvores, plantações e comidas, dos rios inchando na monção e o abandono dos terrenos inundados em migração provisória para mais longe da margem, a ponte e o trem, a chuva torrencial, a mãe sempre presente que tinha que por comida nos pratos e fazer com que os de fora não percebessem a escassez, a onipresença do arroz, a convivência entre muçulmanos e hindus (apesar da tensão, sobretudo em datas comemorativas de cada religião).

Rickshaws estão um pouco mais longe, Mahfuz os observa quando vai de trem visitar os tios em cidade próxima. E, muçulmanas ou não, em Bengala de então as mulheres usavam sári. A mãe vestia sári e o pai uns tempos tentou sair do aperto vendendo sáris a partir de casa, mas foi roubado e desistiu.

A madrasa em Naogaon era diferente porque pertencia ao Novo Esquema, introduzido em 1914. As madrasas anteriores eram apenas de estudos arábicos e islâmicos, enquanto nas novas se diminuiu essa parte para acrescentar matérias do currículo das escolas inglesas. O diploma de ambas era considerado equivalente, mas de fato não era, pois havia menos matemática na madrasa, e nada de ciências. Por que Mahfuz está ali? Porque o pai era muçulmano praticante estrito, professor da madrasa, quem chamava os fiéis para a reza na mesquita. Queria que o filho fosse um bom muçulmano e chegasse a funcionário público. Além de que nas madrasas estavam os mais pobres. Mahfuz tinha uns 13 anos em 1947, quando a Índia e o Paquistão se estabeleceram como países independentes a partir do que foi a Índia sob domínio britânico. Mas já não estava em Naogaon.

A vida em Daca, onde fez seu curso universitário, é descrita quase como uma série de fotos: cada professor e sua matéria, cada colega, cada leitura, cada rua e cada canto, cada prédio, cada parque e cada árvore, além dos muitos familiares, é claro. Um menino nu cantando uma canção hindu, rikshaws de bicicleta, a prisão. É um capítulo curioso pelas minúcias. Nota como nem todos no Dhaka College vinham de madrasas. Começa a gostar de economia. “Economia da União Soviética” era pequena parte do currículo, e o leva a sonhar com um Paquistão industrializado; é óbvio que estamos na década de cinquenta. Já se comentam de quando em vez conflitos de rua violentos no Paquistão Oriental.

Mahfuz cheira política, mas fica longe dela. Isso acaba em 1952, quando se lança no movimento pela língua bengali, indo às marchas e comícios. Os estudantes enfrentaram tiros e gás lacrimogênio, houve mortos, os estudantes construíram uma homenagem aos mártires, logo derrubada pela polícia. Mahfuz acabou sendo preso, com centenas de outros, mas um tio conseguiu tirá-lo antes dos demais, que permaneceram duas semanas.

Parece que o mais sofrido foi o sermão de que “era pobre e estava em Daca para estudar, não para fazer política”. Esse era um movimento político inteiramente secular, em favor de se dar à língua bengali o status de língua do Estado no Paquistão. No início só o urdu era língua de Estado, mas ao fim do movimento, em 1955, bengali foi declarada a segunda língua de Estado no Paquistão.

Nessa época começam muitas das dúvidas de Mahfuz. É dos mais interessantes o texto sobre o movimento pelo bengali, que termina junto com seu curso universitário, e sobre seu trabalho inicial, uma pesquisa sobre crédito e desemprego rural no Paquistão Oriental. E há seu casamento com Farida, logo que acaba a faculdade, o que é parte da explicação de como o menino descalço de Naogaon ainda continuou andando até muito mais longe que Daca. Por ora vai trabalhar ali na Diretoria de Indústrias, onde a burocracia não é pouca.

As memórias do Bangladesh se leem como um romance, realista e nostálgico, e são evidentemente as mais “exóticas” para um leitor aqui destas paragens. Mas é divertido saber de ingleses e holandeses pelo olhar detalhista de alguém com uma origem tão diferente. Os capítulos sobre a Manchester dos anos sessenta, onde faz seu mestrado (com bolsa do British Council), e a Rotterdam onde mais tarde faz seu doutorado (com bolsa da Fundação Ford), valem a leitura, mostram como estudar no exterior como bolsista com pouco dinheiro implica trabalho duro e habilidade linguística do bengali franzino. Além de alguma sorte: quando o avião de Karachi pousou em Amsterdam, foi advertido que precisava reportar à polícia em Rotterdam, pois o pessoal da Ford, em Daca já envolvida em tumultos e sob lei marcial, o havia embarcado sem visto.

Chegado a Rotterdam, foi levado para uma cela. Recordou, exausto, seus dias na cadeia em Daca, na luta pela língua bengali. Até que, depois de algumas horas, Jan Tinbergen, que havia aceitado ser seu supervisor, veio em seu socorro. Mas depois disso a história é mais tranquila: quando procurava onde morar em Rotterdam, quiseram hospedá-lo em um navio atracado transformado em hotel de estudantes. Foi grande o seu susto.

Depois de algum tempo começam a chegar notícias de guerra no Paquistão. Os militares paquistaneses estavam reprimindo com violência os protestos por liberdade e independência do Paquistão Oriental. As tropas queimaram favelas e oficinas de jornais. Mahfuz consegue trazer para Rotterdam Farida e os dois filhos pequenos, pouco antes de serem suspensos os voos entre Daca e Karashi. Depois de um ano de batalhas e sabotagem, a independência do Bangladesh é comemorada, em 16 de dezembro de 1971.

Só então foram identificados os corpos, entre os quais uma imensa quantidade de intelectuais. O capítulo “Rotterdam” é, no fim, uma reportagem sobre o terrível preço que pagaram os bengalis por sua liberação.

Obtido o PhD em fins de 1973, Mahfuz volta a Daca, agora capital do Bangladesh independente, com um Estado secular e o bengali como língua oficial. Tratava-se de construir o novo país, e Mahfuz é absorvido na recém-instalada Comissão de Planejamento. O país atingido pela grande fome de 1974 está em situação desesperadora.

Cria-se um consórcio liderado pelo Banco Mundial para ajudar o país. Em junho de 1975 o consórcio se reúne em Paris, e Mahfuz faz parte da delegação bangladeshi. A ajuda internacional prometida decepcionou, e sua maior felicidade foi reencontrar Tinbergen, que falou na possibilidade de um trabalho na ONU. A decepção maior, ao voltar para Daca no voo oficial, foi ver que um dos membros trouxera de contrabando, escondida na cabine do piloto, um pacote de coisas supérfluas cuja importação estava proibida no seu jovem país. Relata coisas piores. A relativa tranquilidade dura pouco.

Em agosto de 1975 um golpe sangrento, com assassinatos de mulheres e crianças, instaurou em Bangladesh uma República Islâmica. Os assassinos fugiram de Daca em avião fornecido pelos novos donos do poder. E a paisagem política mudou.

Mahfuz foi economista da ONU por quase 20 anos, até 1995. Durante algum tempo foi meu chefe imediato, ao tempo em que éramos parte da equipe que preparava o World Economic Survey, nos anos em que Göran Ohlin foi economista-chefe da ONU, se não de jure, de fato. Subordinada a Göran Ohlin, o mentor querido de muitos de nós, estava uma Divisão encarregada do Survey, dirigida durante um breve período por Pedro Malan. Era bem internacional nossa Divisão, tinha brasileiro, chinês, americano, japonês, italiano, russo, holandês, angolano, polonês, húngaro, filipino, até uma ex-freira indonésia.

A equipe daquele tempo está toda lá, nas cem páginas do penúltimo capítulo, cujo título é apenas “In New York”. Esse capítulo, relativo ao período em que Mahfuz foi chefe da International Economic Relations Branch, tem cenas do cotidiano de trabalho, algumas até engraçadas, outras muito menos, algum comentário sobre os vários “personagens” e suas instalações, idas à cafeteria e ao restaurante dos diplomatas, à biblioteca. Transparece o quanto gosta de New York, que descreve devagar, como “um lugar para andar” mesmo sob nevasca ou chuva de verão, os grossos pingos vistos do 26º andar do Secretariado tão diferentes dos que batiam sobre tetos de zinco em Naogaon.

En passant aparece o lamentável episódio que, nas minhas palavras e não de quem gentilmente não identificou a vilã, foi o uso desonesto de acusações de assédio por uma funcionária que assim manteve seu cargo apesar de não ser competente para cumprir as tarefas correspondentes.[4]

O capítulo não trata do debate econômico na ONU, que foi objeto de outro livro que teve resenha em Política Externa.[5] Mas há algo sobre a estrutura, as mudanças na burocracia quando da criação do cargo de Diretor Geral Para Desenvolvimento e Cooperação Econômica Internacional (DIEC), imediatamente abaixo do secretário-geral na hierarquia da ONU. Aparece de novo a branda ironia de Mahfuz quando diz que, depois de se agregar uma seção “social” à Divisão, se supunha que os de nível médio na hierarquia na ONU teriam que “transitar entre várias disciplinas”.

Mahfuzur Rahman, como economista, tem uma sólida carreira em dedicação exclusiva, e muito orgulho de ter feito seu doutorado na Holanda sob a orientação do Nobel de Economia Jan Tinbergen, a quem dedicou o seu livro sobre o debate econômico na ONU.

Na ONU nunca sobrou tempo para mais que escrever relatórios para o secretário-geral e para a Assembleia Geral. É o que faz basicamente um economista na ONU (a não ser que seja recrutado como voluntário para alguma das missões). Foi só depois de aposentado, e sobretudo depois de ver da janela de seu apartamento em Waterside Plaza as torres gêmeas sendo derrubadas, é que Mahfuz entrou na discussão sobre islamismo, justificando, em julho de 2002: “estes são tempos desesperados e religião hoje é importante demais para ser deixada inteiramente a seus intérpretes profissionais”.

(Khoda Hafez…, p. 68) Possivelmente tinha na memória, também, os milhares, até amigos e parentes seus, que morreram em Bangladesh pelas balas de armas em que o gatilho foi puxado “em nome de deus”.

* The University Press Limited, Dhaka, Bangladesh, 2007, 117 pp.
** Adorn Publication, Dhaka, Bangladesh, 2012, 512 pp. (Essas memórias se publicaram primeiro em Bengali, em dois volumes, em 2008 e 2009, e tiveram boa acolhida. A edição em inglês, de 2013, não é tradução, é do próprio autor, porém mais resumida.)

Notas

[1] Convém lembrar que o papel das mulheres em Bangladesh é muito superior ao de suas contrapartes em sociedades do Oriente Médio: as mulheres em Bangladesh votam, dão testemunho legal nas cortes em igualdade com os homens, e muitas coisas mais, como dirigir um carro ou ser primeiro-ministro do país.

[2] Mahfuzur Rahman usa o adjetivo “islamista” para os que acreditam no islamismo literal e podem ser chamados de fundamentalistas; usa “islâmico” para o muçulmano comum (mainstream muslim).

[3] Depois que se aposentou na ONU, Mahfuzur Rahman publicou em Daca um álbum de fotos de flores da região de Bengala, com texto em bengali e em inglês: Flowers of Bengal, Dhaka, 2000, 95 pp. Reuniu um número maior de suas fotos de flores de Bengala, fotografadas ao longo de mais de duas décadas, em uma exposição em Nova York, em maio de 2008.

[4] Lembro de uma vez em que, cansada de como se tratava na época o tema do assédio sexual, quis colocar na porta da minha sala um cartaz, “Damsels in distress, how come it never happened to me?”, mas uma colega brasileira mais conciliadora não deixou.

[5] Mahfuzur Rahman, World Economic Issues at the United Nations: Half a Century of Debate, Kluwer Academic Publisher, Boston/Dordrecht/London, 2002, 300 pp. (Resenha em Política Externa, v. 12, n.2, set-nov 2003.)

Esta matéria faz parte do volume 22 nº2 da revista Política Externa
Volume 22 nº 2 - Out/Nov/Dez 2013 Diplomacia e Democratização

Na última década, a política externa brasileira tem sido capaz de se renovar e se antecipar às mudanças que estavam em curso na ordem internacional

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