Política Externa
Vol. 19 nº 3 - Dez/Jan/Fev 2010 Vol. 19 nº 3 - Dez/Jan/Fev 2010

Os rumos do comércio mundial

China e EUA – de guerras cambiais a guerras comerciais. Leia mais

Conteúdo desta edição

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  • Passagens

Carta dos editores

A Organização Mundial do Comércio começou a funcionar em 1995, em meio a grandes
esperanças de que ela poderia se tornar a agência multilateral capaz de regular as
transações de bens e serviços entre os países de uma forma ordenada, eficiente e mais
justa para todos. Era o resultado de meio século de negociações sob a égide do GATT, um
esforço após a Segunda Guerra para impedir a repetição dos erros do excessivo protecionismo
dos anos 1930, que haviam agravado dramaticamente os efeitos da Grande
Depressão.

No entanto, em meio à maior crise econômica desde a que foi deflagrada pelo crash
de Wall Street em 1929, a OMC tem se mostrado insuficiente para dar conta dos muitos
impasses em torno do comércio internacional. Apesar das enfáticas conclamações em
reuniões de cúpula contra o protecionismo, ele continua a ser usado por quase todos os
países. A atual rodada de negociações de Doha, iniciada em 2001, permanece paralisada.
A China, que ingressou na entidade também em 2001, e os EUA, ainda o ator mais
influente do mundo, permanecem em pé de guerra em defesa de seus próprios interesses
nacionais. E os demais países não se entendem sobre como resolver a situação.

Os rumos do comércio mundial é o principal assunto desta edição da Revista, a primeira
da segunda década do século XXI. Dois dos mais importantes especialistas brasileiros
neste tema o analisam: Vera Thorstensen, que durante 15 anos foi assessora
econômica da missão do Brasil em Genebra, atualmente professora da FGV-SP, e Aluisio
de Lima-Campos, presidente da ABCI (Brazilian International Trade Scholars) e professor
da American University, em Washington.
Índia e China, duas potências emergentes, companheiras do Brasil nos BRIC, serão
essenciais no processo das tratativas sobre o comércio e sobre a governança global como
um todo. Por isso, é prioritário entendê-las melhor, compreender suas motivações e antecipar o máximo possível seus movimentos. O cientista político Oliver Stuenkel, atualmente
professor visitante de Relações Internacionais na USP, escreve especificamente
sobre as relações bilaterais entre Brasil e Índia. E Paul Evans, diretor do Institute of Asian
Research da Universidade de British Columbia, Canadá, um dos maiores especialistas
em China na América do Norte, mostra como a leitura do trabalho dos grandes historiadores
daquele país talvez nos ajude a prever como poderá ser seu comportamento no
futuro de médio e longo prazos.

A América do Sul tem sido um dos muitos alvos da China na ofensiva para expandir
sua influência global. Neste subcontinente, muitos de seus negócios são com o Uruguai,
o menor (fisicamente) dos integrantes do Mercosul. Neste número, a Revista traz um
valioso artigo de Sergio Abreu, ex-ministro das Relações Exteriores daquele país, que
mostra uma visão uruguaia da situação regional, um dado imprescindível para a formulação
das políticas brasileiras para o Mercosul e para a região.

No número 1 deste volume 19 da Revista, que saiu em junho de 2010, o ex-premiê
britânico e atual representante do Quarteto (EUA, Rússia, União Europeia e ONU), Tony
Blair, publicou um artigo exclusivo em que antecipava com otimismo um acordo para a
criação de um Estado palestino em paz com Israel. Nesta edição, o cientista político
Samuel Feldberg, responsável pela área temática sobre a região do Grupo de Análise de
Conjuntura Internacional da USP, contesta o artigo de Blair e argumenta que a possibilidade
de entendimento entre israelenses e palestinos ainda é muito remota e não há
indícios de que a situação possa se alterar rapidamente.

Os 25 anos de política externa na democracia brasileira, que já foram objeto de reflexão
no artigo de José Eduardo Faria no número 4 do volume 18 (março/maio de 2010), voltam
a ser tema da Revista neste número, com o texto de Dawisson Belém Lopes, professor de
Relações Internacionais da PUC Minas. E os mais de 200 anos de ativa participação do
Congresso dos EUA na formulação da política externa de seu país são o assunto do interessante
artigo de Déborah Barros Leal Farias, mestra em Relações Internacionais pela
UnB e doutoranda pela University of British Columbia, do qual muito se pode aprender
a respeito do papel que deve caber ao Legislativo brasileiro nesse tópico específico.

O grupo de artigos desta edição se encerra com outro tema poucas vezes abordado
com profundidade, como foi feito no texto de Gabriel Ribeiro Barnabé, doutorando em
filosofia pela UNICAMP: qual foi o papel ocupado pelas relações internacionais no pensamento
do papa Pio XII.

A seção Passagens traz relatos sobre a vida de dois importantes personagens da política
mundial que morreram no final de 2010. O ex-presidente argentino Néstor Kirchner
é analisado pela jornalista brasileira Marcia Carmo, correspondente em Buenos Aires
para diversos veículos de comunicação por muitos anos, e Theodore Sorensen, um dos
mais próximos assessores do presidente John Kennedy, por Carlos Eduardo Lins da
Silva, editor da Revista.

Os dois documentos desta edição e várias resenhas tratam do Brasil, cuja proeminência
internacional, produto de 18 anos de estabilidade econômica e 25 de avanços institucionais,
tem feito com que muitos autores se dediquem a estudá-lo e publicar suas
conclusões sobre ele em diversos países. O primeiro documento é uma extensiva pesquisa
do Pew Center sobre a autoimagem do brasileiro no final da primeira década deste século.
O outro é uma versão resumida do minucioso trabalho do especialista Hal Brands para a
Escola de Guerra do Exército dos EUA sobre o que ele chama de “grande estratégia brasileira”
e seus dilemas.

O geógrafo Demétrio Magnoli analisa o livro O Brasil e os ventos do mundo, do ex-ministro
das Relações Exteriores brasileiro Luiz Felipe Lampreia, o qual resenha Brazil on
the Rise: The Story of a Country Transformed, do ex-correspondente do New York Times no
Brasil Larry Rohter. A editora-adjunta da Revista Maria Helena Tachinardi trata do livro
Brasil, país do presente: o poder econômico do “gigante verde”, do jornalista alemão Alexander
Busch. O editor da Revista, Carlos Eduardo Lins da Silva, resenha The New Brazil, do
brazilianista Riordan Roett. E o jornalista Carlos Haag trata de um livro que cuida de
tema brasileiro do passado: as relações entre o país e os Confederados da Guerra da
Secessão americana (O Sul mais distante: os EUA, o Brasil e o tráfico de escravos africanos, de
Gerald Horne).

A seção de resenhas abre com a da diretora do Instituto de Relações Internacionais da
USP, Maria Hermínia Tavares de Almeida, sobre o livro de Fernando Henrique Cardoso
Xadrez internacional e social-democracia. Ela inclui a análise de Anselmo Takaki, da Prospectiva
Consultoria, sobre o livro de Rafael Ramalho Dubeux a respeito da inovação no
Brasil e na Coreia do Sul e a de Carolina de Abreu Batista Claro, mestranda em Direito
Internacional pela USP, sobre o livro do Collectif Argos acerca dos refugiados das
mudanças climáticas.

Helga Hoffmann, do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP, resenha
o mais recente livro de Nouriel Roubini sobre a crise econômica. E Luis Fernando Ayerbe,
professor da UNESP, fecha esta edição com sua resenha do livro sobre as FARC de
autoria de Daniel Pécaut.

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