Política Externa
Vol. 20 nº 2 - Set/Out/Nov 2011 Vol. 20 nº 2 - Set/Out/Nov 2011

O papel atual do Brasil na América do Sul

O papel do Brasil na América do Sul: estratégias e percepções mútuas . Leia mais

Conteúdo desta edição

  • Editorial
  • Artigos
  • Documentos
  • Livros
  • O mundo na ficção
  • Passagens

Carta dos editores

A maioria dos artigos (nove em 14) desta edição da Revista trata do Brasil, cuja presença no cenário das relações internacionais tem crescido significativamente nos últimos 16 anos, como resultado dos grandes avanços econômicos obtidos no período e da solidez demonstrada por suas instituições democráticas, fatores que realçaram ainda mais a importância natural do país no mundo, devido às suas condições geográficas e a sua história como nação que trabalha em prol da resolução pacífica de contenciosos entre os povos.

Os primeiros cinco textos discutem o papel atual do Brasil na América do Sul, que sempre foi importante pelo próprio tamanho do país e pelo fato de ele fazer fronteira com todos os demais do subcontinente, exceto dois. Todos esses textos foram produzidos para um importante seminário a respeito do tema realizado em 5 de julho de 2011 no Instituto Fernando Henrique Cardoso, numa iniciativa do projeto Plataforma Democrática, que os cederam para publicação na Revista, pelo que lhes agradecemos muito, em nome dos leitores e da comunidade de estudiosos das relações internacionais no país.

A questão central é abordada em dois artigos: o que abre o dossiê, de autoria de Bernardo Sorj e Sergio Fausto, e o que o fecha, escrito por Pedro da Motta Veiga e Sandra Polónia Rios. Entre eles, aparecem trabalhos a respeito das relações específicas do Brasil com três importantes vizinhos: a Argentina (por Roberto Russell e Juan Gabriel Tokatlian), o Chile (por Ricardo Gamboa Valenzuela) e a Bolívia (pelo ex-presidente boliviano Carlos Mesa).
Um dos ambientes das relações internacionais em que o Brasil tem aparecido com grande destaque pelo menos desde as negociações da Rodada Uruguai, mas especialmente no processo final da constituição da Organização Mundial do Comércio e no desenvolvimento da Rodada Doha, é o do comércio. E um dos temas centrais das discussões sobre o comércio internacional tem sido o dos desalinhamentos cambiais. Vera Thorstensen, Emerson Marçal e Lucas Ferraz têm desenvolvido importante pesquisa sobre esse assunto e produziram para a Revista um artigo em que estudam os casos do Brasil, da China e dos EUA sob essa perspectiva.

Uma das grandes vitórias do Brasil em contenciosos comerciais com outros países foi a que obteve no caso do suco de laranja contra os EUA. Em mais uma prova da saudável continuidade de algumas políticas fundamentais para o interesse nacional nos últimos 16 anos, o país manteve uma linha de ação coerente ao longo do tempo nesse item, que culminou com a decisão do painel da OMC a seu favor em 2011. Christian Lohbauer, da Citrus BR, que reúne os exportadores de sucos cítricos do país, escreveu especialmente para a Revista um artigo sobre o assunto.
A preservação da Amazônia é outro assunto que com frequência leva o nome do Brasil, nem sempre favoravelmente, aos debates mundiais. Uma das mais importantes iniciativas positivas adotadas pelo país com relação a esse item foi a Moratória da Soja, pela qual a indústria nacional se comprometeu em não adquirir ou financiar a soja produzida no Bioma Amazônia em terras desmatadas após sua instituição, cinco anos atrás. Carlo Lovatelli, presidente da associação Brasileira da indústria de Óleos Vegetais (ABIOVE) fez para a Revista um balanço dos cinco anos da Moratória da Soja.

Menos frequente na pauta, mas de grande importância estratégica para o futuro do país é a sua relação com as nações da Ásia do Leste. Edmundo Sussumu Fujita, atual embaixador do Brasil na Coreia do Sul e ex-diretor do Departamento de Ásia e Oceania do Itamaraty, escreveu para a Revista artigo em que analisa as perspectivas desse relacionamento.

O Oriente Médio segue sendo um dos principais focos de preocupação e tensão no mundo. A possibilidade de o Irã vir a obter capacidade para construir uma arma nuclear tem provocado diversas interpretações de uma possível retaliação armada de Israel ou dos EUA. O diplomata Ibrahim Abdul Hak Neto, atual Chefe de Gabinete da Subsecretaria- Geral da América do Sul, Central e do Caribe, do Ministério das Relações Exteriores e ex-assessor da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis, produziu um artigo sobre o tema.

Outro diplomata de carreira do Brasil, Antonio Augusto Martins Cesar, escreveu sobre o Processo de Kimberley, que articula governos, indústria e sociedade civil em direção ao objetivo de disciplinar o comércio de diamantes brutos e, assim, acabar com o uso de “diamantes de conflito” para financiar movimentos rebeldes que lutam contra governos legítimos.

A complexa e muitas vezes tensa relação entre diplomatas e jornalistas tem sido tema de estudos e análises de Rodrigo Baena Soares, diplomata de carreira e atual porta-voz da Presidência da República. Ele fez especialmente para a Revista um texto em que consolida e aprofunda suas reflexões sobre o tema, feitas na prática e na teoria.

Finalmente, dois artigos encerram a seção principal da Revista tratando dos egressos dos cursos de graduação em Relações Internacionais, que viveram um verdadeiro boom na virada do século XX para o XXI. Luiz Alberto Machado, vice-diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), que abriga a graduação em RI na instituição, analisa as possibilidades profissionais dos formandos de tais programas.
E Maria Hermínia Tavares de Almeida e André Cavon mostram o resultado de uma pesquisa feita com graduados do curso de RI da USP, dirigido por ela.

A seção Passagens homenageia o presidente da República que deu a partida ao ciclo virtuoso que o Brasil vem vivendo há mais de uma década e meia. Itamar Franco nomeou Fernando Henrique Cardoso ministro da Fazenda e deu a ele o apoio necessário para a concepção e implantação do Plano Real, que estabilizou a economia, acabou com a hiperinflação e deu as bases para o que viria depois nos mandatos do próprio FHC e de Luiz Inácio Lula da Silva. Celso Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores de Itamar, escreveu a respeito dele para a Revista.

Na seção O Mundo na Ficção, Carlos Eduardo Lins da Silva analisa o filme “Babel”, do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que se constitui numa excelente ilustração sobre questões muito importantes para o mundo nos meados da década passada, em especial o terrorismo na Ásia Central e a imigração ilegal nos EUA.

As resenhas desta edição são de livros de grande importância comentados por intelectuais de primeira linha. Anna Jaguaribe trata do mais recente livro de Henry Kissinger, sobre a China. Helga Hoffmann escreve sobre a biografia de Raúl Prebisch de Edgar J. Dosman. Luiz Fernando Ayerbe faz a análise do livro de Andrés Serbin a respeito da influência de Hugo Chávez na reconfiguração política da América Latina. Oliver Stuenkel faz a resenha do livro de artigos sobre a China organizado por Matias Spektor e Dani Nedal. Alexandra de Mello e Silva trata do livro de João Augusto Costa Vargas sobre o Brasil e o Conselho de Segurança da ONU. Alzira Alves de Abreu comenta o livro sobre a figura do correspondente internacional, de Carlos Eduardo Lins da Silva. E Maria Helena Tachinardi cuida do livro de Afonso Fleury e Maria Tereza Leme Fleury a respeito das multinacionais brasileiras.

Para fechar a edição, a íntegra do relatório sobre as relações bilaterais Brasil-EUA preparado pela Força-Tarefa constituída para tal fim pelo Council on Foreign Relations. Este número da Revista, portanto, começa e termina com o Brasil, que é ainda o tema da maior parte de suas páginas.

Os Editores.

  • Relações Brasil-EUA por Os Estados Unidos enfrentam agora um Brasil que realizou uma transformação pacífica nos setores econômico e social, tornando-se assim a pedra fundamental do crescimento e da estabilidade da América do Sul, bem como uma potência e presença significativas no palco mundial
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