Política Externa
Vol. 21 nº 1 - Jun/Jul/Ago 2012 Vol. 21 nº 1 - Jun/Jul/Ago 2012

Eleições 2012

Cinco países natural e historicamente importantes para a agenda externa brasileira mudam de presidente neste ano de 2012. França, Rússia, México, EUA e Venezuela. Leia mais

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Carta dos editores

Cinco países natural e historicamente importantes para a agenda externa brasileira mudam de presidente neste ano de 2012. França e Rússia já fizeram sua escolha; México, Venezuela e EUA preparam-se para ela. A Revista pediu a habituais colaboradores que são especialistas nas sociedades destas cinco nações que escrevessem artigos sobre estes pleitos.

O embaixador Marcos Castrioto de Azambuja, que representou o Brasil junto à França de 1997 a 2003, compara a eleição de François Hollande com a do outro François socialista que presidiu a Quinta República, e mostra como as altíssimas expectativas que cercavam o governo de Mitterand não se repetem agora, quando as ambições do recém- -empossado presidente são modestas, mas não necessariamente desimportantes.

A economista Lenina Pomeranz, integrante do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo, afirma que a maneira como ocorreu a campanha que resultou na recondução de Vladimir Putin à Presidência da Rússia permite considerá- la um ponto de mudança no regime político pós-soviético, dada a intensa mobilização social pela legitimidade do processo eleitoral e por mudanças na ordem vigente.

O embaixador Sergio Abreu e Lima Florencio, que liderou a missão do Brasil no México, acha que o pleito de 1o de julho pode se constituir num ponto de inflexão importante na história mexicana, com a muito provável volta do PRI (Partido Revolucionário Institucional), que dominou o país por 71 anos dos cem anos do século passado e foi afastado pelas urnas nos 12 iniciais deste século.

O cientista político Rafael Duarte Villa analisa os possíveis cenários da eleição presidencial venezuelana de 7 de outubro, cujos contornos ainda não são muito claros por diversos motivos, entre os quais a incerta condição de saúde do presidente candidato a mais um mandado Hugo Chávez. Para Villa, mesmo que Chávez não se reeleja por impossibilidade física ou derrota para a oposição, poucas mudanças drásticas ocorrerão na política externa do país.

O jornalista Paulo Sotero, por muitos anos correspondente de jornais brasileiros em Washington e atual diretor do Brazil Institute na capital dos EUA, afirma que a disputa entre Barack Obama e Mitt Romney em 6 de novembro é de decisiva importância para o país e para o mundo, neste quadro de crise econômica global, e ainda não se pode prever quem sairá vencedor.

Três textos sobre os desdobramentos da Primavera Árabe sucedem o conjunto de artigos sobre as eleições de 2012 neste primeiro número da Revista em seu vigésimo- -primeiro ano de publicação.

Abdelwahab Hiba Hechiche, professor de relações internacionais da University of South Florida, faz uma análise muito crítica das esperanças com que foram recebidas no Ocidente as manifestações de rua que levaram ou à queda ou à desestabilização de regimes autoritários no Magreb e no Oriente Médio. Em muitos casos, diz ele, o processo não aproximou as sociedades que o viveram da democracia nem há indícios firmes de que tal ocorrerá.

O ex-subsecretário geral da ONU Marcel A. Boisard trata em seu artigo sobre Islã e cidadania especificamente da condição dos cristãos no Oriente Médio e argumenta que “a inseparável relação entre o espiritual e o temporal no Islã e o domínio holístico da religião sobre a sociedade complicam a análise de uma construção específica” porque, “essencialmente, o vínculo entre o indivíduo e o grupo no Islã não é jurídico como no Estado-nação moderno, mas estritamente religioso”.

O mais recente integrante do Conselho Editorial da Revista, Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, traz sua primeira contribuição na forma de texto em sua nova posição, com um comentário sobre o processo em curso de revisão das Constituições do Egito e da Tunísia, para o qual a experiência da transição brasileira para a democracia no final dos anos 1980 pode ser uma contribuição significativa.

A crescente participação nas negociações e política internacionais de novos atores além dos diplomatas tem possibilitado a abertura de instigantes vertentes nas relações entre países. Uma delas é a da “diplomacia científica”, de que trata o artigo preparado com exclusividade para a Revista por Michael T. Clegg (da National Academy of Sciences) e Donald Bren (da Universidade da Califórnia em Irvine).

O professor das UNESP e integrante do Conselho Editorial da Revista Luiz Fernando Ayerbe mostra em seu artigo para esta edição outra faceta deste mundo em que os tradicionais e até pouco tempo únicos protagonistas das relações internacionais vêm perdendo paulatinamente este privilégio: o Pentágono agora enfoca sua ação também pela preocupação com “ameaças não estatais ao redor do mundo”.

O doutor em geografia humana e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP Alberto Pfeifer faz um balanço da VI Cúpula das Américas que ocorreu este ano em Cartagena, Colômbia, e conclui que “a integração profunda pode não ser possível num futuro próximo nas Américas, mas o processo liderado pela OEA é melhor do que nenhum processo”.

Joseph Tulchin, do David Rockfeller Center for Latin American Studies da Universidade Harvard, em artigo também especialmente redigido para a Revista, argumenta que “este é o momento de as nações da América Latina afirmarem seu papel nas questões mundiais”, devido aos amplos espaços para atuação derivados da crise econômica que desde 2008 aflige o mundo todo mas especialmente as nações desenvolvidas, e da relativa perda de poder por parte das superpotências.

O diplomata brasileiro Eduardo Uziel faz uma análise tanto quantitativa quanto qualitativa do voto do Brasil em decisões relevantes e recentes no Conselho de Segurança da ONU e chega à conclusão de que “parece haver uma busca de autonomia por parte do Brasil, ao mesmo tempo em que o país se esforça para ser cooperativo e para fortalecer o Conselho de Segurança, mesmo quando uma decisão não lhe agrade inteiramente”.

O mexicano Carlos Fuentes foi um dos mais importantes intelectuais públicos do século XX. Filho de diplomata, Fuentes, embora tenha enveredado com enorme êxito pela literatura e ensaísmo, tinha entre suas preocupações prioritárias – de modo instintivo e natural – o mundo e a relação entre as diferentes culturas nacionais.

Esta Revista teve a honra de publicar um artigo que Fuentes escreveu especialmente para ela, no seu volume 13, número 1 (junho, julho, agosto de 2004), intitulado “O racista mascarado”, no qual ele contestava com vigor e verve as teses de Samuel Huttington em “O Choque de Civilizações”.

A morte de Fuentes em maio de 2012 deixa em todos os seus leitores um grande sentimento de vazio, ainda mais forte para diversos colaboradores desta Revista que conviveram com ele em diversos ambientes, como o do Foro Ibero América, do qual também faz parte o empresário, jornalista e ex-primeiro-ministro de Portugal Francisco Pinto Balsemão, que escreveu texto sobre Fuentes que está na seção “Passagens” desta edição.

Na seção “O Mundo na Ficção”, o historiador Boris Fausto, membro do nosso Conselho Editorial, faz a resenha do filme “Habemus Papam”, de Nanni Moretti, que trata da política do Vaticano, especialmente conturbada no primeiro semestre de 2012 com o vazamento de diversos documentos secretos indicadores de corrupção e conspirações entre cardeais.

Dois importantes livros de autores seminais no campo das relações internacionais são resenhados neste número: “Strategic Vision: America and the Crisis of Global Power”, de Zbigniew Brzezinski, pelo diplomata brasileiro Hélio Franchini Neto, e “O talento para liderar”, de Joseph S. Nye Jr., pela editora-adjunta da Revista, Maria Helena Tachinardi.

Fecha esta edição a seção “Documentos”, que transcreve na íntegra o discurso de Celso Lafer, presidente do Conselho Editorial da Revista, ao receber o título de doutor honoris causa da Universidade Lyon 3 – Jean Moulin, em abril deste ano, no qual se trata do significado e desafios da Rio+20, que ocorre em junho de 2012.

Os editores

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