Política Externa
Vol. 21 nº 3 - Jan/Fev/Mar 2013 Vol. 21 nº 3 - Jan/Fev/Mar 2013

Mercosul = - Paraguai + Venezuela

Paraguai, Brasil e o Mercosul . Leia mais

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Carta dos editores

O Mercosul é um dos mais ambiciosos projetos de política externa da história do Brasil e de seus integrantes. Marco do processo de democratização do Cone Sul e de todo o subcontinente, símbolo das ambições de integração e desenvolvimento econômicos da região, tem enfrentado dificuldades de várias espécies ao longo de sua trajetória, como qualquer empreendimento desse porte naturalmente tem pela frente.

Em muitas das situações de crise nos 27 anos de duração do processo, desde que os presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín assinaram a Declaração de Iguaçu, que o colocou em marcha, não faltaram analistas dispostos a decretar o seu fim irremediável. Problemas econômicos, políticos, diplomáticos se sucederam com maior ou menor gravidade, mas – apesar de possivelmente nunca ter caminhado no ritmo desejado pela maioria – o Mercosul sobrevive.

Em 2012, colocou-se diante dele talvez o seu mais sério obstáculo quando os presidentes de Brasil, Argentina e Uruguai resolveram suspender o Paraguai do Mercosul por considerarem que a ordem democrática nesse país foi quebrada com o impeachment do presidente Fernando Lugo e admitir a Venezuela como membro pleno, apesar de o Legislativo paraguaio ainda não haver aprovado tal inclusão.

As decisões provocaram, como seria fácil supor, grande controvérsia. Para tratar delas, Política Externa convidou para escrever sobre o assunto Marco Aurélio Garcia, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República e membro licenciado do Conselho Editorial desta revista, e Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil e presidente deste Conselho, que têm visões antagônicas sobre o problema. Além deles, também abordam o tema com artigos nesta edição o professor universitário brasileiro Domingo Paz e o jornalista paraguaio Alberto Acosta Garbarino.

Os dois textos seguintes deste número também cuidam da América do Sul. O diplomata Regis Arslanian analisa os problemas comerciais entre Brasil e Argentina, que têm sido um dos principais motivadores dos acima mencionados obstáculos para a instituição do Mercosul. O professor universitário Fábio Albergaria de Queiroz escreve sobre a hidropolítica no âmbito do complexo regional sul-americano de segurança.

No meio de seu mandato, a presidente Dilma Rousseff já deu algumas prioridades a sua política externa suficientes para diferenciar sua administração da predecessora, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do mesmo partido dela. O ex-ministro da Fazenda e diplomata Rubens Ricupero defende a tese de que a mais significativa mudança de um governo para o outro é o fato de, na prática, o país ter abandonado as negociações da Rodada Doha da OMC, em artigo nesta edição.

O economista Sérgio Vale trata em seu texto de outro projeto ambicioso da política externa brasileira, que é o do Brics. Em sua análise, os países que compõem o bloco são e continuarão a ser o maior mercado consumidor disponível no mundo e não têm nada a oferecer em termos de modelo sustentável de desenvolvimento.

Um estudo sobre a política externa brasileira e as relações comerciais do país, do economista Ivan Tiago Machado de Oliveira, dá prosseguimento a esta edição. Ele trata de diversos pontos que também são tratados nos artigos imediatamente anteriores ao seu, com ênfase no período de 1995 a 2010.

O professor canadense radicado na Austrália Sean Burges aborda em seu artigo o papel do Itamaraty na definição da política externa brasileira, que – em sua opinião – contraditoriamente pode atualmente ser negativo para o interesse nacional, em decorrência do próprio sucesso da instituição.

A natureza da atividade diplomática é o tema do diplomata Benoni Belli no texto seguinte da edição, a partir de três esferas de debate: a necessidade de especialização, a tradução pela diplomacia das grandes linhas da política externa e ética da diplomacia.

Uma aplicação prática da política externa brasileira, o engajamento do país em operações de paz da ONU, é o assunto do professor universitário Lucas Pereira Rezende, que fez estudo comparativo sobre o percentual de comprometimento total do Brasil em cada operação de manutenção da paz entre 2001 e 2009.

Os três artigos que fecham a seção neste número são sobre outras regiões do mundo: Andrés Serbin, presidente executivo da Coordenadoria Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais, escreve sobre as mudanças atuais no regime de Cuba, o advogado Fernando Menezes analisa os 20 anos da Constituição de Cabo Verde, país que vem sendo considerado um sucesso na África contemporânea, e a jornalista Camila Arêas discute o controverso tema da lei do véu na França.

Na seção “O Mundo na Ficção”, a economista Helga Hoffmann faz uma resenha de El hombre que amaba a los perros, romance de Leonardo Padura. Na seção “Passagens”, o editor desta revista, Carlos Eduardo Lins da Silva, lembra a vida de George McGovern, político americano que perdeu para Richard Nixon a eleição presidencial dos EUA em 1972.

Duas resenhas compõem a seção “Livros”: a de Rio Branco (O barão do Rio Branco), biografia pessoal e história política, de Alvaro Lins, pelo diplomata João Almino, e a de Imigrante ideal, de Fábio Koifman, pelo jornalista Carlos Haag.

Finalmente, na seção “Documentos”, a transcrição da apresentação sobre Carlos Fuentes feita pelo presidente do Conselho Editorial da Revista, Celso Lafer durante o XIII Foro Iberoamérica, em outubro de 2012.

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