Política Externa
Vol. 23 nº 2 - out/nov/dez 2014 Vol. 23 nº 2 - out/nov/dez 2014

Riqueza, crescimento e desigualdade

A partir da leitura do de Thomas Pikkety, Le Capital au XXI Skiècle, o autor escreve um ensaio sobre a questão da desigualdade na sociedade contemporânea, e chega à conclusão de que a tese do francês é indiscutível. Leia mais

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Carta dos editores

Fazia muito tempo que um livro sobre temas econômicos não causava tanta repercussão mundial quanto O capital no século XXI, de Thomas Piketty, originalmente editado em francês em 2013, e em seguida em inglês, este ano, e em diversas outras línguas, inclusive o português.

Naturalmente, o Conselho Editorial da Revista achou pertinente pedir a alguém uma resenha e, por sugestão do conselheiro Fernando Henrique Cardoso foi feita uma consulta a André Lara Resende, um dos mais conceituados economistas do país, ex-presidente do BNDES, que aceitou a empreitada com tanto entusiasmo que o produto final, mais do que uma resenha, é um ensaio alentado sobre riqueza, crescimento e desigualdade, que abre esta edição.

Outro assunto que provocou celeuma durante anos, e bastante atual, é o embate entre Brasil e EUA sobre os subsídios ao algodão naquele país, que consumiu 13 anos de contencioso, na OMC e em negociações bilaterais, que chegou ao fim em primeiro de outubro deste ano. Um ator que teve papel central em muitos momentos desses embates, tanto no exercício de funções públicas quanto em cargos de comando de associações do setor privado, Pedro de Camargo Neto, escreveu um artigo para a Revista em que rememora seus fatos cruciais e os avalia.

Seguem-se dois artigos sobre a inserção do Brasil na América do Sul. O primeiro, de dois importantes acadêmicos argentinos, discute como as elites econômica e política daquele país têm reagido à ascensão brasileira no cenário internacional, acentuada neste século XXI, que é concomitante com o declínio da Argentina. No segundo, o diplomata Carlos da Fonseca avalia a expansão empresarial brasileira na América do Sul nos últimos anos e suas implicações político-diplomáticas no período de 2002 a 2012.

Depois, temos o artigo do atual embaixador do Brasil em Seul, Edmundo Fujita, sobre a “diplomacia do saber”, em que ele trata dos papéis críticos que cabe à diplomacia brasileira desempenhar nas questões referentes ao desenvolvimento e ao conhecimento científico-tecnológico na atualidade.

Este artigo deveria ter sido publicado na edição passada da Revista, quando, por um erro do editor, acabou por ser editado outro artigo do embaixador Fujita, que já havia saído alguns anos antes nestas páginas. Por isso, desculpamo-nos com o autor e com os leitores, com a esperança de que esse tipo de equívoco não volte a ocorrer.

A relação entre diplomacia e ciência está também no cerne do artigo seguinte, sobre BRICS e mudanças climáticas, de autoria de José Goldemberg, um dos físicos mais respeitados no mundo neste assunto, e Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais de grande prestígio.

Henrique Lian, doutor em Filosofia pela USP, mestre em História pela Unicamp e bacharel em Direito, além de atual diretor de Comunicação e Relações Institucionais do Instituto Ethos, escreveu para a Revista sobre a obrigação jurídica de declarações, resoluções e diretrizes relativas ao desenvolvimento sustentável que vêm sendo adotadas em conferências. E os professores de Economia Cristiano Morini e Paulo Costacurta de Sá Porto, em outro texto especialmente preparado para a Revista, tratam de como a adesão do Brasil à CQR (Convenção de Quioto Revisada) é um fator catalisador de mudanças para que o Brasil adote as melhores práticas em consonância com os instrumentos legais internacionalmente aceitos.

A professora Anna Jaguaribe analisa no artigo que se segue o papel do Estado e das parcerias público-privadas na promoção da inovação e descreve os desafios que Brasil e China enfrentam ao tentarem transformar políticas de ciência e tecnologia em políticas de inovação.

A China, que por motivos óbvios, tem estado mais e mais presente na pauta da Revista nos últimos anos, é o tema do artigo do professor chinês Suisheng Zhao, especificamente no que se refere à relação de seu país com os EUA a partir das novas diretrizes de política externa definidas após a posse do presidente Xi Jinping em 2013. O autor, que esteve no Brasil a convite do iFHC, também preparou o texto especialmente para a Revista.

O papel dos think tanks no processo de decisão de políticas públicas em relações internacionais nos EUA, e como o Brasil tem sido assunto pouco presente nas preocupações dessas organizações, apesar de sua importância e de sua ascensão recente no cenário interacional, são o assunto do texto dos diplomatas Benoni Belli e Filipe Nasser que vem a seguir nesta edição.

As relações entre Estado e sociedade civil na definição das políticas públicas de relações internacionais do Brasil são o tema do artigo de Haroldo Ramanzini Júnior, professor da Universidade Federal de Uberlândia, e Rogério de Souza Farias, do Centro de Estudos sobre América Latina da Universidade de Chicago, o penúltimo deste número.

O jornalista Jorge Caldeira fecha os artigos desta edição com uma releitura do livro que reuniu todos os textos que Júlio Mesquita publicou em O Estado de S. Paulo sobre a Primeira Guerra Mundial, enquanto ela ocorria, há cem anos. A ele, segue-se um comentário do brasileiro Hussein Kalout, que é pesquisador no Weatherhead Center for International Affairs da Universidade Harvard, e Christopher Sage, coronel da Força Aérea Americana que serviu no Oriente Médio e no Afeganistão sobre as possíveis consequências para a geopolítica do Oriente Médio de um eventual entendimento entre EUA e Irã.

A seção “Passagens” traz um texto escrito a quatro mãos por Helio Jaguaribe, fundador e conselheiro da Revista, e seu filho, Roberto Jaguaribe, atual embaixador do Brasil em Londres, sobre o diplomata brasileiro Oscar Lorenzo Fernandes, que morreu aos 90 anos este ano.

Na seção “Livros”, três são examinados: World Order, de Henry Kissinger, pelo professor da UNESP e membro do Conselho Editorial Luis Fernando Ayerbe; O amigo americano: Nelson Rockefeller e o Brasil, de Antonio Pedro Tota, pelo jornalista americano radicado no Brasil Matthew Shirts; e Brazil's Dance with the Devil. The World Cup, the Olympics, and the Fight for Democracy, do jornalista americano Dave Zirin, pelo pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (NUPRI/USP) Fabrício H. Chagas Bastos.

Finalmente, na seção “Documentos”, um texto que o conselheiro da Revista Roberto Teixeira da Costa apresentou em reunião do Conselho Diretor do Conselho Empresarial da América Latina sobre os desafios da política externa; o discurso do premiê japonês Shinzo Abe feito em São Paulo sobre a sua política para a América Latina e o Caribe, o pronunciamento sobre a Síria feito à ONU pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a República Árabe da Síria, e o relatório dessa comissão.

** Quando esta edição já estava sendo encaminhada para a gráfica, recebemos a muito triste notícia da morte de nosso conselheiro Luciano Martins, que desde a primeira hora foi ativo colaborador de Política Externa e dedicado amigo de seu fundador, Fernando Gasparian. O presidente do Conselho Editorial, Celso Lafer, lembrando o período em que ele e Gilberto Dupas foram coeditores da Revista, ressaltou o quão assídua foi a colaboração de Luciano Martins na discussão da pauta de cada número e no encaminhamento de convites a autores.

Na nossa próxima edição, a seção “Passagens” trará um texto que procurará dar conta da dimensão intelectual do sociólogo e cientista político, que alargou as dimensões do seu campo no país.

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