Política Externa
Vol. 23 nº 3 - jan/fev/mar 2015 Vol. 23 nº 3 - jan/fev/mar 2015

A Tragédia do Charlie

O atentado contra o semanário satírico Charlie Hebdo foi interpretado por muitos como parte de um conflito entre extremistas muçulmanos e um jornal em campanha quase sistemática contra o Islã extremista. . Leia mais

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Carta dos editores

O ano de 2015 começou com diversos fatos preocupantes no campo das relações internacionais. Atentados violentos contra a liberdade de expressão e de caráter antissemita na França, Dinamarca e Bélgica, por exemplo, mostram que a questão do terrorismo ganha relevância, desta vez a partir da Europa, onde muitos adolescentes são atraídos e recrutados por organizações islâmicas radicais. O aumento da atuação do Estado Islâmico em áreas de Iraque e Síria, onde sua ocupação de território cresce, bem como o número de execuções de seus prisioneiros, torna a conjuntura do Oriente Médio ainda mais imprevisível.
Esse conjunto de problemas é abordado nesta edição por meio de três artigos: o do filósofo Renato Janine Ribeiro, que se concentra mais no episódio do Charlie Hebdo, o do sociólogo Bernardo Sorj, que explica os processos em curso no Oriente Médio sob uma perspectiva histórica e da Ciência Política, e o do historiador Daniel Afonso da Silva, sobre a Líbia. Além disso, na seção “Documentos”, o discurso com que o filósofo Bernard Henri-Lévy abriu a Sessão Plena das Nações Unidas consagrada ao recrudescimento do antissemitismo lança luz sobre tema que alguns julgavam já superado na Europa, mas que os recentes incidentes citados comprovam não estar.
Dois assuntos vitais para o mundo que exigem o trabalho coletivo das nações, o comércio internacional e as mudanças climáticas, passam por momento difícil, em que as negociações para se chegar a acordos aceitáveis por todos parecem emperradas. Cada um desses processos é analisado por um artigo neste número, com enfoque no papel que o Brasil tem em ambos: o do diplomata Clodoaldo Hugueney sobre as perspectivas da Organização Mundial do Comércio para a conclusão exitosa da Rodada Doha e o do cientista político Alcindo Gonçalves sobre os avanços e impasses das vinte Conferências das Partes (COPs) e o que se pode esperar da COP 21, marcada para este ano em Paris.
Outro drama de interesse mundial é a epidemia de ebola que chegou a vários países, a partir de alguns da África. O médico José Manoel Bertolote, que trabalhou na Organização Mundial da Saúde, escreveu para esta edição artigo sobre a doença, comparando-a com outras tragédias similares que no passado exigiram esforço coletivo internacional.
No continente americano, o ano de 2014 terminou com uma nota mais positiva: o anúncio de que EUA e Cuba decidiram trabalhar em conjunto para reatar plenas relações diplomáticas, o que poderia representar o último capítulo da Guerra Fria. O historiador Luis Fernando Ayerbe, integrante do Conselho Editorial da Revista preparou artigo sobre esses desenvolvimentos para este número. Na seção “Documentos”, um estudo de Bernardo Sorj e Sergio Fausto sobre Cuba, publicado pouco antes do anúncio de entendimento entre Havana e Washington, mostra como estava a situação no país quando ele ocorreu.
Também em tom otimista, o Uruguai assiste em março a transmissão do cargo de presidente da República de Pepe Mujica para seu antecessor e agora sucessor Tabaré Vázquez. Um comentário sobre Mujica do diplomata Marcos Castrioto de Azambuja integra esta edição.
Uma avaliação dos efeitos do NAFTA sobre o México e do Mercosul sobre o Brasil foi feito pelo diplomata Sergio Abreu e Lima Florêncio, com a conclusão de que o México está mais bem aparelhado para enfrentar os desafios da globalização, embora os dois países tenham problemas.
O último artigo deste número é de autoria de Fábio Albergaria de Queiroz e Eduardo Viola, e trata de analisar a contribuição de um seleto grupo de historiadores para a construção de um pensamento latino-americano de relações internacionais.
Na seção “O Mundo na Ficção”, a economista Helga Hoffmann trata da queda do Muro de Berlim, que completou 25 anos em 2014, a partir de dois romances de Thomas Brussig, considerado um dos melhores intérpretes das transformações na Alemanha Oriental que levaram aos eventos de 1989 e do que ocorreu naquela parte do país dali em diante.
Em “Passagens”, textos de Gelson Fonseca Jr. e Alzira Alves de Abreu lembram a vida e o trabalho de sociólogo e cientista político Luciano Martins, um dos pioneiros da Revista, sempre empenhado em melhorá-la e membro de seu Conselho Editorial até a morte, ocorrida no final de 2014, como registrou esta Carta na edição anterior.
A seção “Livros” abre com duas resenhas do livro Cinquenta anos esta noite – o golpe, a ditadura e o exílio, de autoria do senador José Serra: uma do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e outra do sociólogo José de Souza Martins. Prossegue com o comentário do jornalista Paulo Sotero para o livro Scholars, Policymakers, and International Affairs. Finding Common Cause, de Abraham F. Lowenthal e Mariano E. Bertucci.
Depois, outras duas resenhas sobre um mesmo livro, Aposta em Teerã: o Acordo Nuclear entre Brasil, Turquia e Irã, de autoria do ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia: uma preparada pelo diplomata Marcos Castrioto de Azambuja e outra pelo jornalista Samy Adghirni, correspondente da Folha de S. Paulo em Teerã.
A seção se encerra com a resenha de Monica Hirst do livro How India Became Territorial: Foreign Policy, Diaspora, Geopolitics, de Itty Abraham, que aparece em momento particularmente oportuno, já que a Índia está sendo agora considerada como o país emergente com mais possibilidades de êxito econômico nesta segunda década do século.
Em “Documentos”, além dos textos já mencionados, estão o discurso de posse do diplomata Mauro Vieira como novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, o agradecimento do ex-ministro Celso Lafer, presidente do Conselho Editorial da Revista, ao receber o título de professor emérito da Universidade de São Paulo, e o texto que fez a sua apresentação na cerimônia em que ele o recebeu, de autoria de Cláudia Perrone-Moisés, professora de Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito da USP.

***

A partir deste número, a Revista conta com a colaboração de nova editora-adjunta, a jornalista Denise Chrispim Marin, uma das mais experientes e capazes especialistas em relações internacionais da imprensa brasileira, com passagem como correspondente em Washington e Buenos Aires. Ela substitui Maria Helena Tachinardi, outra expoente do nosso jornalismo na área de política externa, também com experiência como correspondente internacional, que pediu para se afastar da posição que diligentemente ocupou por muitos anos para dedicar-se a outros projetos profissionais. À Maria Helena, os nossos melhores agradecimentos e à Denise, nossas melhores boas-vindas.

Os editores

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