Política Externa
Vol. 23 nº 4 - abr/mai/jun 2015 Vol. 23 nº 4 - abr/mai/jun 2015

Revista Política Externa

A situação geopolítica da Ásia neste século é tão peculiar como tensa devido às aspirações de seus três principais atores. Japão, China e Coreia ainda não resolveram questões históricas entre si, mantêm alianças antigas e atuais que se conflitam e, curiosamente, preservam os legados de seus três velhos líderes.. Leia mais

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Carta dos editores

No próximo dia 2 de setembro, vai ser comemorado o septuagésimo aniversário da assinatura, a bordo do USS Missouri, do documento pelo qual o Japão se rendeu às forças aliadas o que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, as tensões entre Japão e dois de seus inimigos asiáticos naquele conflito, China e Coreia, ainda se mantêm.

Em grande medida, a razão pela qual as três nações continuam a se digladiar diplomaticamente (Japão e China ainda têm divergências territoriais sobre ilhas no Mar da China) se refere às memórias da Segunda Guerra, embora as hostilidades entre elas ocorram há séculos. Masato Ninomiya e Aurea Christine Tanaka analisam esses problemas históricos e suas perspectivas para o futuro em artigo alentado, que abre esta edição.

A capa deste número é a reprodução de xilogravura do artista japonês HanabusaItchō (1652-1724) que ilustra o difundido conto de origem indiana sobre cegos chamados a descrever um elefante por meio do toque em diferentes partes do seu corpo, com o resultado de que, cada um, limitado a um aspecto apenas do bicho, ninguém consiga distinguir que animal é aquele. De forma similar, sem que se entendam todas as múltiplas e complexas particularidades daquela área do mundo, ninguém conseguirá decifrá-la propriamente.

A China é o assunto do artigo seguinte, especificamente sua presença nas negociações de importantíssimos acordos multilaterais, como o Acordo da Parceria Transpacífico (TPP), a Área de Livre Comércio do Pacífico Asiático (FTAAP) e o fórum China-CELAC (Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe).
Evan Ellis, do Center for Strategic and International Studies, preparou este texto especialmente a Revista.

No contexto dos BRICs, a China prossegue como tema desta edição nos dois artigos que se seguem.
No primeiro, Jéssica dos Santos, Divanildo Triches e Márcia Regina Godoy avaliam o fluxo de investimento estrangeiro direto nos países do grupo e mostram o papel fundamental que os chineses têm tido nesse processo. No outro texto, Ana Paula L. Oliveira, Eduardo Uziel e Rafael Rocha analisam o comportamento dos membros dos BRICS no Conselho de Segurança da ONU em 2011, quando todos estavam naquele organismo.

Jorge Caldeira, integrante do nosso Conselho Editorial, é o autor do muito interessante ensaio que vem a seguir, no qual ele tenta preencher o vazio em relação ao Brasil no best-seller O capital no século XXI, de Thomas Piketty, no qual o país só aparece uma vez, em uma nota de rodapé. Para isso, ele oferece elementos numéricos que possibilitam vislumbrar um lugar para a economia brasileira na comparação com as séries estatísticas mundiais usadas pelo autor no livro.

Sete anos depois da eclosão da crise financeira de 2008, o mundo ainda está se debatendo, em todos os continentes, com as dificuldades para retomar o crescimento. Monica Baumgarten de Bolle, em artigo que escreveu para a Revista, lembra a advertência de John Locke de que as pessoas, em geral, atribuem probabilidades mais elevadas às suas crenças do que as evidências sugeririam. Seu texto avalia o estado da economia mundial sem recorrer a argumentações exageradas.

EUA e Cuba estão próximos de reabrir embaixadas recíprocas, embora seja improvável que o Senado americano vote rapidamente qualquer indicação do presidente Barack Obama para o cargo. Essa será a culminação do degelo entre os dois países promovido por Obama e seu colega Raúl Castro. O tema é analisado por Peter Hakim, presidente emérito do Diálogo Interamericano, em texto que ele preparou para a Revista.

O próximo artigo trata de assunto muito pouco discutido no Brasil: o acordo de cooperação que a Organização do Tratado do Atlântico Norte e a Colômbia pretendem firmar. Sua autora é Rocío del Pilar Pachón Pinzón assessora do Chefe de Planejamento e Transformação do Exército Nacional da Colômbia, que, apesar de sua especialização, faz uma avaliação mais de ordem política do que militar sobre eventuais vantagens e problemas do acordo do ponto de vista colombiano.

Finalmente, Heitor de Andrade Carvalho Loureiro escreve sobre os cem anos do genocídio armênio pelo Império Otomano, que resultou entre 800 mil e um milhão de mortes, e sobre a resistência que a Turquia ainda mantém em reconhecer o que aconteceu.

Na seção “Passagens”, o embaixador Ronaldo Sardenberg homenageia a memória de Bernardo Pericás Neto, seu colega e primo-irmão, um dos mais completos diplomatas brasileiros de sua geração.

Em “O Mundo na Ficção”, Helga Hoffmann, que tem colaborado com grande brilho para a seção, trata do filme “Timbuktu”, do cineasta da Mauritânia Abderrahmane Sissako, que se baseia na ocupação da cidade daquele nome em Mali pelo Estado Islâmico.

Quatro resenhas de livros integram esta edição. Janina Onuki faz a de Os desafios da América Latina no século XXI, coordenado por Enrique Iglesias, que é o resultado do trabalho do ex-presidente do BID à frente da Cátedra José Bonifácio, da Universidade de São Paulo. Na seção “Documentos”, o discurso de Iglesias no encerramento de sua participação na Cátedra também pode ser encontrado, o que complementa bem a resenha.

A editora-adjunta da Revista, Denise Chrispim Marin, avalia a edição inaugural de Cadernos de Política Exterior, editado pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri). Registramos com prazer a chegada deste novo “concorrente” e lhe desejamos excelentes realizações.

Henrique Lian faz, num trabalho de fôlego que corresponde a um ensaio, uma resenha conjunta de quatro livros recentes e importantes sobre Direito Internacional: Why Nations Cooperate: Circumstance and Choice in International Relations, de Arthur A. Stein; The Limits of International Law, de Jack L. Goldsmith e Eric A. Posner; How International Law Works: a Rational Choice Theory, de Andrew T. Guzman, e When International Law Works: Realistic Idealism After 9/11 and the Global Recession, de Tai-Heng Cheng.

Finalmente, Jeff Hornbeck resenha o livro de Michael Reid, ex-editor da revista The Economist para a América Latina (e atualmente o responsável pela coluna intitulada Bello, da mesma publicação, que trata de temas do nosso subcontinente), intitulado Brazil: The Troubled Rise of a Global Power.

Na seção “Documentos”, quatro discursos recentes: o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao receber o título de Person of the Year, o do ex-presidente do BID
Enrique Iglesias ao final de sua participação como titular da Cátedra José Bonifácio da USP, o do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer ao receber a Medalha Gilbert, e o do presidente da FUNAG, Sérgio Eduardo Moreira Lima, na cerimônia de lançamento do livro II Conferência da Paz, Haia, 1907.

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Na semana em que encerrávamos os trabalhos de edição deste número, fomos dolorosamente surpreendidos pela morte de Clodoaldo Hugueney Filho, grande diplomata brasileiro que vinha exercendo a presidência do Conselho Empresarial Brasil-China.
Desde que deixou seu último posto oficial, de embaixador em Pequim, vinha colaborando assiduamente com a Revista, onde teve muitos amigos e admiradores. Escreveu sobre os destinos da China sob a quinta geração de líderes comunistas, sobre o filme Um Toque de Pecado, do cineasta chinês Jia Zhangke, e, na edição anterior a esta, um magnífico ensaio sobre o futuro da OMC. A diversidade temática de sua colaboração recente com a Revista comprova o seu ecletismo intelectual, com o qual contávamos bastante para os próximos números. Fará grande falta a todos que com ele conviveram e tiveram oportunidade de usufruir de sua inteligência.

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