Política Externa
Vol. 24 nº 1 e 2 - jul/dez 2015 Vol. 24 nº 1 e 2 - jul/dez 2015

O Histórico Acordo de Viena

O Acordo de Viena sobre o projeto nuclear iraniano evitou as consequências trágicas da hipótese de o Irã, país inserido na região mais tensa do mundo, obter armamento nuclear. . Leia mais

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Carta dos editores

A diplomacia obteve uma das maiores conquistas de sua história em julho com o Tratado de Viena, que pôs fim a 12 anos de impasses sobre o programa nuclear iraniano.
Abriu, assim, uma vereda para um encaminhamento de solução para um dos grandes
problemas atuais do Oriente Médio, que – para não poucos analistas – parecia um labirinto
sem solução diplomática.
Nada mais apropriado que esta revista, dedicada ao estudo e ao debate de temas das relações internacionais, dedicasse a este evento um espaço especial. Resolvemos fazer um dossiê para abordar de múltiplos ângulos este importantíssimo acontecimento. A abertura é de Luiz Felipe Lampreia, ex-chanceler brasileiro, que tem dedicado muito de seu tempo recente à análise dos problemas do Oriente Médio e especificamente da questão nuclear iraniana.
Em seguida, na seção Documentos, temos um texto de autoria de Ernest Moniz, secretário de Energia dos EUA, destacado integrante da comunidade acadêmica americana no campo da Física, que foi um dos mais graduados negociadores pelo lado americano do Tratado, e que comprovou a importância da contribuição da ciência para a diplomacia bem-sucedida. Depois, José Goldemberg, um dos mais respeitados físicos do mundo, especialista em energia nuclear, que trata da história das tentativas de contenção da proliferação nuclear e também, ao comparar o malsucedido acordo de Teerã de 2010 (entre Irã, Turquia e Brasil) com o de Viena, a diferença que faz uma negociação bem embasada cientificamente com outra que só se sustenta na retórica e na política. A pedido de Goldemberg, publicamos na seção Documentos a íntegra da Declaração de Teerã para que os leitores possam compará-la à densidade do Tratado de Viena, minuciosamente descrito neste dossiê.
O ex-embaixador de Israel em Washington e grande scholar das questões do Oriente Médio, Itamar Rabinovich, nos oferece uma perspectiva regional do Tratado de Viena, que causou tanta tensão nas relações entre os EUA e Israel.
Marcos de Azambuja, com sua enciclopédica visão dos temas internacionais, discorre sobre a relevância histórica desse entendimento, que marca uma espécie de renascimento do prestígio da diplomacia na opinião pública mundial.
O jornalista Paulo Sotero nos dá a visão de como a sociedade e a política americana enfrentaram o desenrolar desse assunto, tão polêmico nos EUA, devido à oposição radical que o Partido Republicano fez à aproximação de Washington com Teerã. O sucesso eventual é mais uma das grandes vitórias do presidente Barack Obama neste seu final de segundo mandato, em que vem acumulando êxitos que nos seis primeiros anos de seu governo lhe pareciam impossíveis.
Para finalizar o dossiê, Marcos Tourinho trata de um aspecto específico, que há muitas décadas desperta discordâncias profundas entre especialistas em relações internacionais: o papel das sanções internacionais em situações extremas, e notadamente neste processo.
Outro tema exponencial das relações internacionais deste ano é o das mudanças climáticas, que também exige a combinação entre diplomacia e ciência. José Eli da Veiga, um dos principais estudiosos desse assunto no Brasil nos dá sua visão original de que não bastará “descarbonizar” o planeta (missão quase impossível por si só) para resolver o problema. A seu artigo, segue-se um comentário, que o próprio José Eli sugeriu que publicássemos, de Henrik Selin, professor da Universidade de Boston, simples e didático, que nos ajuda a entender melhor a complexidade do problema.

Assunto de permanente interesse desta revista, o comércio exterior, que também vive período de mudanças radicais com a proximidade do TPP (outra grande vitória de Obama em seu fim de governo). Vera Thorstensen, habitual e sempre fundamental colaboradora da revista e Fernanda Kotzias mostram como o comércio mundial do século XXI traz como principal desafio a eliminação de barreiras mais complexas, menos aparentes e de difícil negociação: as “behind the border barriers”, contidas nos sistemas jurídicos nacionais e resultantes ou não de acordos plurilaterais e megapreferenciais.
Braz Baracuhy nos oferece uma abordagem do conceito da geoeconomia e destaca uma dimensão contemporânea central da prática geoeconômica entre as grandes potências internacionais: o comércio mundial.
Eduardo Uziel, que apesar de sua juventude já está se tornado um veterano articulista desta revista, junto com Elias Rodrigues Martins Filho, examina o trabalho do Secretariado das Nações Unidas e seu papel nas operações de manutenção da paz, que são as ações mais efetivas, críticas e de maior visibilidade das Nações Unidas na comunidade internacional.
Dante Sica, ex-secretário de Indústria da Argentina, dá aos leitores sua visão crítica e do maior interesse para o Brasil da intensificação das relações de seu país com a China.
Carolina Rodrigues Corrêa, Marília Fernandes Maciel Gomes e João Eustáquio de Lima também escrevem sobre comércio internacional. Esclarecem como apesar de seus benefícios, como ser fonte de recursos financeiros e proporcionar maior variedade e disponibilidade de bens aos consumidores, muitos países ainda assim resistem a ele e buscam proteger seus setores menos competitivos através de barreiras tarifárias e não tarifárias.
Na seção Passagens, a comovente homenagem de Luiz Felipe de Seixas Corrêa a seu
colega e amigo (e constante colaborador desta revista) Clodoaldo Hugueney. E uma análise
da especialista em Rússia Lenina Pomeranz sobre o ministro das Relações Exteriores
da glasnost Evgeny Primakov.
Em O Mundo na Ficção, nossa conselheira Maria Hermínia Tavares de Almeida, faz a resenha do filme Retorno a Ítaca, do diretor francês Laurent Cantet, com roteiro de Leonardo Padura, que aborda os dramas da geração dos filhos da Revolução Cubana, atônitos com os fracassos e sucessos do movimento que mudou para sempre a história de seu país, e que chega ao público exatamente quando outro marco histórico de Cuba ocorre com o reatamento de relações entre Havana e Washington (mais uma vitória tardia de Obama).
Em Livros e Revistas, Helga Hoffmann, que sempre nos empresta o calor de sua inteligência, comenta sobre três livros recentes a respeito da tragédia grega contemporânea, que, infelizmente para o Brasil, começa a ser apontada como algo com que o nosso país deveria se preocupar para não chegar ao mesmo estágio de deterioração econômica a que a nação berço da democracia chegou.
Christian Edward Cyril Lynch, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Veiga de Almeida e pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa faz a resenha do livro sobre a política de Rio Branco à frente do Itamaraty de autoria de João Paulo Soares Alsina Júnior.
Na seção Documentos, além do texto do secretário Ernest Moniz e da íntegra da Declaração de Teerã, mais uma brilhante colaboração de Luiz Felipe de Seixas Corrêa: seu discurso na comemoração do aniversário do Instituto Rio Branco.

Esperamos que usufruam da leitura deste número especial.

Os editores

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